A consolidação do mercado de satélites acaba de ganhar um capítulo curioso envolvendo a “reciclagem” de infraestrutura orbital. A Intelsat (agora sob o guarda-chuva da gigante SES) iniciou o processo para assumir o controle total do satélite Eutelsat 50 West A, atualmente pertencente à sua concorrente francesa Eutelsat.
A empresa já solicitou à FCC (Comissão Federal de Comunicações dos EUA) a permissão para relicenciar o equipamento sob controle americano. Se aprovado, a Intelsat operará o satélite na posição 50.3° Oeste, uma localização estratégica para cobertura no hemisfério ocidental, incluindo as Américas.
O “Satélite Molhado” que superou as expectativas
Lançado em dezembro de 2008 como Eutelsat W2M, o satélite teve um início de vida conturbado. Na época, ele ganhou o apelido informal de “Wet Sat” (Satélite Molhado) devido a um suposto problema de infiltração de água sofrido ainda na fábrica da EADS Astrium. Logo após o lançamento, falhas técnicas limitaram sua missão original, levando o então CEO da Eutelsat a declarar o equipamento como uma “decepção”.
Entretanto, o que parecia um fracasso tornou-se um exemplo de resiliência. Ao longo de 17 anos, o satélite “pulou” por diversas posições orbitais e nomes:
- Eutelsat 48B (em 48°E);
- Eutelsat 28B (em 28.5°E);
- Afghanistan 1 (em 2014, conectando o país asiático).
- Vida extra em órbita inclinada
Projetado para durar 15 anos, o satélite superou seu prazo de validade nominal em 2023. Atualmente, ele opera em órbita inclinada — um estágio onde o satélite gasta menos combustível para se manter em posição, embora exija antenas rastreáveis em solo para uma recepção perfeita.
Para a Intelsat, a aquisição deste “relíquia espacial” faz todo o sentido estratégico: o satélite pode ser utilizado para serviços de baixa criticidade, links de backup ou operações técnicas temporárias, reforçando a capacidade da frota sem a necessidade de investir centenas de milhões de dólares em um novo lançamento imediato.
A movimentação reforça a tendência de consolidação do setor, onde operadoras otimizam recursos antigos para manter posições orbitais valiosas enquanto preparam a próxima geração de satélites de alto desempenho.
