A Copa do Mundo está quase chegando. Após a TV Globo lançar uma agressiva campanha na televisão e nas redes sociais incentivando o público a usar a antena digital terrestre para fugir do delay (atraso de sinal), o SBT entrou exatamente na mesma onda (veja abaixo). As duas emissoras formaram uma “coalizão informal” para defender que o torcedor assista aos jogos pelo sinal físico da TV aberta, uma estratégia clara para tentar conter o avanço avassalador da audiência da CazéTV no ambiente digital.
Por trás do discurso técnico de oferecer uma transmissão “sem spoiler” e com o grito de gol em tempo real, há um forte componente comercial e de volume de conteúdo. Na TV aberta, porém, a cobertura será limitada: a TV Globo exibirá apenas 55 jogos ao longo de todo o torneio, enquanto o SBT terá um pacote ainda menor, transmitindo apenas 32 partidas. Em contrapartida, a CazéTV joga com a exclusividade absoluta da internet e transmitirá, de forma totalmente gratuita via YouTube (entre outros meios), todos os 104 jogos do maior Mundial da história.
A estratégia das emissoras de canal aberto tenta focar no calcanhar de Aquiles do streaming, que costuma apresentar um atraso que varia de 20 segundos a mais de um minuto dependendo da conexão do usuário.
Sabendo que o público jovem é fortemente atraído pela linguagem e pela conveniência da CazéTV, Globo e SBT tentam inflar o valor de sua infraestrutura física de radiodifusão. A mensagem subliminar é idêntica: para ter a Copa inteira na palma da mão o destino é a internet, mas se o objetivo for gritar gol antes do vizinho, o telespectador precisará tirar a poeira da velha antena de TV.
Voltamos a perguntar: será que, nesta altura do campeonato, terá real efeito?
