Há 32 anos, em 1º de junho de 1994, um canal de cabo estreava nos Estados Unidos com uma proposta que soava quase ingênua: fazer televisão ao vivo, de um estúdio decorado como apartamento no Flatiron District de Nova York, e convidar telespectadores a mandar e-mails em tempo real para os apresentadores. O nome era fX — abreviação de Fox Extended — e o slogan, “The World’s First Living Television Network“.
A rede nasceu sob a gestão de Anne Sweeney, com apoio da Tele-Communications Inc., então a maior operadora de cabo dos EUA. Seu carro-chefe matinal, Breakfast Time, era apresentado por Tom Bergeron e Laurie Hibberd. Outro programa, Backchat, comandado por um jovem Jeff Probst — sim, o mesmo do Survivor —, apostava em feedback do público via internet, um conceito revolucionário para 1994.
A Reinvenção que Mudou Tudo
A fase interativa teve vida curta. Breakfast Time migrou para a rede Fox em 1996 e foi cancelado por baixa audiência. Em 1997, o canal passou por uma reinvenção radical: relançado como “FX: Fox Gone Cable”, abandonou o formato ao vivo e mirou no público masculino entre 18 e 49 anos, com dramas mais pesados e cobertura esportiva.
Foi essa virada que plantou a semente do FX que o mundo conhece. Nos anos 2000, o canal se tornou uma das forças criativas mais respeitadas da televisão americana, disputando espaço com a HBO em prestígio crítico. Séries como The Shield (2002) e Nip/Tuck (2003) estabeleceram o tom — adulto, moralmente ambíguo, sem concessões. Depois vieram Sons of Anarchy, American Horror Story, Fargo, Atlanta e The Americans, entre outros marcos da TV de qualidade.
Em 2024, o canal atingiu seu pico de prestígio com Shōgun, vencedor do Emmy de Melhor Drama — a primeira vez que o FX levou a estatueta máxima da categoria.
O FX no Brasil: “O Que o Homem Vê”
A chegada do canal ao Brasil aconteceu em 1º de maio de 2005. O Brasil foi o primeiro país da América Latina a receber o FX, e o slogan escolhido para o mercado local era direto ao ponto: “O que o Homem Vê”. A proposta era clara — ação, ficção científica, terror, humor negro e erotismo, num pacote voltado a um público que a TV aberta não atendia.
Um diferencial importante no Brasil eram as transmissões esportivas: Copa Libertadores, Copa Sul-Americana e corridas automobilísticas dividiam espaço na grade com as séries importadas — até que o lançamento do Fox Sports, em 2012, absorveu esse conteúdo.
Um dos momentos mais marcantes da história do FX no Brasil foi a migração de Hermes e Renato — após anos de culto na MTV, a trupe levou seus personagens ao canal, mantendo esquetes clássicos como “Boça” e “Tela Class” e reforçando o posicionamento irreverente da emissora.
O Fim da Era Linear
A trajetória do FX no Brasil durou quase 20 anos, mas o modelo de TV paga linear começou a perder fôlego com a ascensão do streaming. Em maio de 2021, o canal passou por uma grande reformulação imposta pela Disney — recém-dona da Fox — para favorecer o Star+, deixando de exibir animações como Family Guy, American Dad! e Bob’s Burgers e passando a exibir apenas filmes.
Em dezembro de 2024, foi anunciado que o FX encerraria suas atividades no Brasil em 28 de fevereiro de 2025, junto a outros canais Disney, como parte da estratégia de centralizar o conteúdo no streaming. O legado, no entanto, segue vivo no FX on Hulu — plataforma lançada em 2020 nos EUA que mantém o DNA criativo do canal na era digital.
Dos e-mails lidos ao vivo em 1994 ao Emmy de drama em 2024: poucos canais navegaram tantas transformações sem perder a identidade.
Você tem memórias do FX no Brasil? Qual série ou programa marcou mais a sua experiência com o canal? Conta nos comentários.
