Em um movimento surpreendente que chocou o mercado de mídia dos Estados Unidos, o ex-presidente Donald Trump declarou-se veementemente contra a eliminação do limite de propriedade de emissoras de televisão, regra que impede qualquer empresa de TV de alcançar mais de 39% dos lares americanos. A declaração, feita em sua rede social Truth Social, coloca um ponto de interrogação sobre as megatransações de bilhões de dólares que estavam em curso, como a tentativa da Nexstar de adquirir mais afiliadas da ABC, CBS, FOX e NBC da Tegna.
39%: O Teto que Virou Batalha Política
O limite de 39%, estabelecido pelo Congresso em 2004, tornou-se um ponto de atrito na indústria. Grandes grupos de emissoras interpretaram a administração anterior como favorável à desregulamentação e se apressaram em anunciar fusões, assumindo que o teto seria derrubado. No entanto, o veto público de Trump agora coloca essas expectativas em xeque.
O posicionamento do ex-presidente representa uma rara divergência pública com Brendan Carr, nomeado por ele para a FCC (Comissão Federal de Comunicações). Carr tem argumentado por anos que a restrição é uma barreira obsoleta que impede as emissoras locais de ganhar escala para competir com gigantes da tecnologia como Google e Meta.
O Lobby de Newsmax e o Alinhamento Político
A complicação no debate se intensificou com a oposição da Newsmax, cujo CEO, Christopher Ruddy, emergiu como um crítico vocal da desregulamentação. Ruddy, um antigo conhecido de Trump, argumenta que remover o limite beneficiaria principalmente os grandes grupos afiliados às redes, em detrimento dos veículos independentes e de inclinação conservadora. Ele alertou que a consolidação poderia reduzir a diversidade de vozes políticas na televisão.
Os comentários de Trump em sua rede social, que vieram acompanhados de um link para a posição de Ruddy, focaram fortemente nas grandes redes de transmissão, que ele descreveu como extensões dos esforços políticos democratas. O ex-presidente declarou que o alcance dessas emissoras deveria ser “reduzido em vez de expandido”, alinhando-se diretamente às preocupações da Newsmax e colocando a FCC e os proprietários de emissoras em uma posição delicada.
Incógnita Regulatória
A FCC iniciou em setembro sua mais recente revisão quadrienal das regulamentações de propriedade de radiodifusão e está aceitando comentários públicos sobre o limite nacional. Embora Brendan Carr sustente que a FCC tem autoridade para modificar ou revogar o limite sem nova legislação, a intervenção pública do ex-presidente torna incerto se a agência avançará com qualquer mudança.
Para a Nexstar e outros grupos de emissoras, que celebraram a era Trump como uma porta aberta para fusões há muito adiadas, o cenário agora é de cautela. A situação atual sublinha a complexa interação entre política, personalidade e regulamentação de mídia nos EUA. Por enquanto, acordos multibilionários continuam suspensos enquanto empresas e reguladores tentam decifrar o futuro da política de mídia.
