Nesta semana, a coluna 10 ou Desce viaja até o gelo do hóquei canadense para encontrar uma joia em meio ao cascalho e retorna ao Brasil para questionar a crise de identidade do jornalismo da emissora de Silvio Santos. Entre o desejo e a política, o público continua sendo o juiz mais severo.
Nota 10: O Terceiro Episódio de Heated Rivalry
A nota máxima vai para um oásis de dramaturgia em meio a um deserto de roteiro: o terceiro episódio da minissérie canadense Heated Rivalry. Se analisarmos a obra como um todo, o veredito é desanimador. Os dois primeiros episódios parecem uma versão “gay” dos clássicos da Cine Band Privé, focando em cenas de sexo gratuitas sem construir qualquer conexão emocional. O casal principal, Ilya Rozanov e Shane Hollander, não gera empatia; o hóquei é apenas um pano de fundo para encontros casuais e mensagens aleatórias que terminam invariavelmente na cama.
Tudo muda, porém, quando a série decide focar no desenvolvimento de Scott Hunter e Kip Grady. No terceiro episódio, a história finalmente ganha corpo. Vemos conflitos reais, dilemas de carreira e uma construção de afeto que permite ao público criar laços com os personagens. É aqui que a série deixa de ser apenas “pele” para se tornar “história”.
Infelizmente, a produção dedica apenas este episódio a eles, com um retorno apoteótico no quinto capítulo, quando Scott toma a corajosa decisão de sair do armário beijando Kip ao vivo para todo o país após uma partida. É uma nota 10 para o fôlego deste casal e um zero para a série que desperdiçou o melhor de seu roteiro em participações curtas.
Nota Zero (Desce): O Teatro da Imparcialidade do SBT News
O “Desce” definitivo desta semana vai para o esforço hercúleo — e frustrado — do SBT e do canal SBT News em tentar vender uma imagem de “imparcialidade político-partidária“. Na teoria, o discurso é bonito; na prática, a execução beira o constrangimento.
A emissora parece viver em uma constante necessidade de se justificar. No entanto, quanto mais o editorial tenta provar que não tem lado, mais escancara sua inclinação à direita. É um jogo de cena que subestima a inteligência do telespectador: o apresentador anuncia com pompa que a casa é plural, para, nos segundos seguintes, entregar o microfone a convidados declaradamente alinhados a uma vertente específica, sem o devido contraponto ou equilíbrio.
Seria muito mais honesto — e respeitoso com a audiência — se o SBT assumisse sua linha editorial de vez. Veículos de comunicação ao redor do mundo têm posicionamentos claros, e isso faz parte da democracia. O que não dá é para continuar com essa tentativa “isentona” que desmorona ao primeiro comentário de seus analistas. O público não tem cara de idiota e percebe quando a “isenção” é apenas uma maquiagem malfeita para esconder um lado bem definido.
E você, prefere uma emissora que assume seu lado ou acredita que o SBT ainda consegue convencer com seu discurso de neutralidade?
