Dona da CNBC e E! registra queda de receita, mas supera projeções no 1º tri

Empresa de TV a cabo registrou receita de US$ 1,69 bilhão, acima das expectativas de Wall Street, mas enfrenta queda em assinantes e publicidade.

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A separação da Comcast foi oficializada em janeiro, e agora os números começam a contar a história real. A Versant — nova empresa independente que controla canais como CNBC, USA Network, Syfy, E!, Oxygen e Golf Channel — divulgou nesta quinta-feira seus primeiros resultados trimestrais desde que passou a ser negociada na Nasdaq. A receita de US$ 1,69 bilhão veio acima do que o mercado esperava (US$ 1,62 bilhão), mas ainda assim representou uma queda de 1% em relação ao mesmo período do ano anterior.

TV paga ainda sustenta — mas por quanto tempo?

Mais de 80% da receita da Versant ainda vem da televisão por assinatura, um modelo que segue perdendo fôlego. A receita de distribuição caiu cerca de 7%, para US$ 1,01 bilhão, reflexo direto da debandada de assinantes dos pacotes tradicionais de TV a cabo e satélite. Tarifas mais altas negociadas com operadoras ajudaram a amortecer o impacto, mas não o suficiente para reverter a tendência.

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Na publicidade, a queda foi de 5%, para US$ 368 milhões — um número ruim isoladamente, mas que representa uma melhora significativa em comparação com o tombo de 12% registrado no primeiro trimestre do ano anterior. A empresa atribuiu a recuperação parcial a uma audiência mais forte em eventos ao vivo, programação esportiva no Golf Channel e cobertura jornalística no CNBC.

Kardashians ao resgate

O grande destaque positivo veio do licenciamento de conteúdo, que disparou 113,5%, atingindo US$ 121 milhões. O salto foi impulsionado principalmente por acordos envolvendo a franquia Keeping Up with the Kardashians e séries derivadas, disponibilizadas em plataformas de streaming como o Hulu. É um sinal claro de que o catálogo de reality shows da empresa tem valor comercial relevante fora da TV linear.

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O segmento de plataformas — que inclui Fandango, GolfNow e outras ofertas diretas ao consumidor — cresceu 9,5%, para US$ 192 milhões. Esses negócios são centrais na estratégia de longo prazo: a Versant quer que metade de sua receita venha de fontes digitais, de assinatura e transacionais. Hoje, esse número não chega a 15%.

Lucro cai, mas recompra de ações sinaliza confiança

No resultado final, o lucro líquido recuou 22%, para US$ 286 milhões (US$ 1,99 por ação). Pesaram os custos adicionais de operar como empresa independente e despesas maiores com juros após o spin-off. O EBITDA ajustado caiu 7%, para US$ 704 milhões — embora, em base comparável ao portfólio pré-separação, tenha subido cerca de 5%.

A Versant também acenou aos investidores com retorno de capital: dividendo trimestral de US$ 0,375 por ação e um programa acelerado de recompra de US$ 100 milhões, previsto para começar em 15 de maio. No primeiro trimestre, a empresa já recomprou quase 2,7 milhões de ações, com cerca de US$ 900 milhões restantes em autorização.

O primeiro balanço solo da Versant mostra uma empresa que ainda depende fortemente de um modelo em declínio, mas que encontra sinais de vida em licenciamento e plataformas digitais. A grande questão é se a transição será rápida o bastante para compensar a erosão da TV paga.

E você, acredita que empresas de TV a cabo como a Versant conseguem se reinventar a tempo, ou o destino delas já está selado pelo streaming?

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