Dez ou Desce: Shakira em Copacabana – show ok, transmissão da Globo péssima

Emissora entregou imagem degradada, cortes sem sentido e câmeras tímidas num dos maiores eventos do ano.

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O último sábado, dia 2 de maio, parou o Brasil (e boa parte do mundo) para o aguardado show de Shakira nas areias de Copacabana. Com transmissão multiplataforma pela TV Globo, Multishow e um sinal gratuito no Globoplay, a expectativa era de um espetáculo tecnológico e visual. No entanto, o que vimos na tela da TV Globo foi um descompasso gritante entre o talento da artista e a entrega técnica da maior emissora do país.

Nota 10: Milton Cunha e o Afeto Latino

A nota máxima da cobertura vai para o pré-show e, especificamente, para a “entidade” chamada Milton Cunha. Enquanto Ana Clara e Kenya Sade tentavam manter o protocolo de uma cobertura estruturada, Milton quebrava o gelo com um deboche necessário e uma sinceridade cortante.

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Ao questionar o público se “já tinham levado chifre” (em clara referência à fase lírica recente da colombiana) ou ao detonar um fã que cantou uma composição autoral com um impagável “Horrível!”, Milton humanizou a transmissão. Ele trouxe o humor que o evento pedia, servindo de contraponto perfeito à seriedade engessada do jornalismo tradicional.

Sobre o show em si, a nota 10 vai para a proximidade. Shakira não entregou uma ópera audiovisual como Madonna ou Lady Gaga fizeram em anos anteriores, mas entregou o que se espera de uma estrela pop: hits, suor e carisma. Ela foi a “prima latina” que subiu ao palco para cantar com a gente. Mesmo no momento constrangedor da parceria com Maria Bethânia — onde o choque de estilos deixou Shakira visivelmente perdida e Bethânia tentando salvar o número no improviso —, o show manteve sua dignidade por ser, essencialmente, um show de música, sem as pretensões conceituais das antecessoras.

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Nota Zero (Desce): A Transmissão “Padrão VHS” da Globo

Se o show foi OK, a transmissão da TV Globo foi um desastre técnico. É difícil acreditar que a mesma emissora que brilha no Rock in Rio e no Lollapalooza tenha entregue algo tão capenga.

A qualidade da imagem, especialmente nos primeiros 20 minutos, foi ofensiva para quem possui uma TV moderna. Em diversos momentos, a definição caía tanto que parecia uma gravação de fita VHS dos anos 80 ou aquelas falhas de conexão ADSL do início dos anos 2000, onde a imagem pixelava e embaçava sem aviso. Fica a dúvida: a emissora resolveu testar o sinal via 5G em uma área com milhões de celulares interferindo? A sensação era de uma transmissão amadora.

Além disso, a direção de imagem parecia “pirata”. Não havia câmeras no palco que entregassem closes de qualidade. O público foi obrigado a assistir a Shakira através de um zoom digital sofrível, captado de longe, o que destruía qualquer nitidez. Os cortes eram secos, sem sentido e, por várias vezes, o que víamos na TV era apenas a reprodução do que passava nos telões do evento.

Para completar o cenário de “emissora de bairro”, a captação no meio do público permitiu que cabeças e braços passassem constantemente na frente da lente, obstruindo a visão da artista. Uma falha de posicionamento primária para quem tem décadas de experiência em grandes eventos.

Conclusão: Shakira salvou a noite com seu talento e um catálogo imbatível, mas a TV Globo quase conseguiu estragar o presente. Se a régua estava alta depois de Madonna e Gaga, a emissora tropeçou na própria sombra, entregando uma cobertura que não esteve à altura da magnitude do evento nem da importância da artista para o continente.

E você, também sentiu que estava assistindo a um vídeo antigo ou a energia da Shakira compensou os pixels estourados da Globo?

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