Claro anuncia compra da Desktop e dispara na corrida pela fibra

Operação avaliada em R$ 4 bilhões marca o maior movimento de consolidação dos últimos anos e pressiona concorrentes como TIM e Vivo.

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No domingo, 22, a Claro comunicou ao mercado uma das movimentações mais relevantes do setor de telecomunicações brasileiro nos últimos anos: a aquisição de 73% da Desktop, maior provedora independente de banda larga fixa do interior de São Paulo, por R$ 2,4 bilhões. O valor foi calculado sobre uma avaliação total de R$ 4 bilhões para a empresa — descontada uma dívida líquida de R$ 1,6 bilhão. O preço por ação ficou em R$ 20,82, um prêmio de 44,5% sobre o fechamento da Desktop na sexta-feira anterior, quando os papéis valiam R$ 14,40.

A operação ainda depende do aval do Cade e da Anatel, mas já movimentou analistas, concorrentes e investidores — e o motivo é simples: isso não é só uma aquisição. É um sinal de largada.

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O que a Claro está comprando — e por quê agora

A Desktop não é uma provedora qualquer. Fundada em 1997 em Sumaré (SP), a empresa chegou à Bolsa em 2021 e hoje conta com 1,2 milhão de assinantes conectados via FTTH (fibra óptica até a casa) em 198 municípios paulistas — tecnologia que a própria Claro ainda tem em número relativamente modesto: apenas 2,7 milhões de acessos em fibra, dentro de uma base total de 10,6 milhões de clientes de banda larga.

No estado de São Paulo, o cenário é ainda mais revelador: a Vivo lidera com 42% do mercado de FTTH, seguida por Desktop com 11% e Claro com apenas 8%. Com a aquisição, a Claro deverá saltar para cerca de 35% de market share consolidado no estado, levando em conta todas as tecnologias de acesso — aproximando-se da Vivo, que hoje tem 31%.

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A movimentação estratégica, portanto, vai muito além de comprar clientes. Ela compra densidade, fibra e posicionamento geográfico.

O que os analistas estão dizendo

O mercado financeiro recebeu o negócio com avaliações positivas — e algumas provocações importantes para o setor:

  • XP Investimentos classificou a operação como “um dos movimentos estrategicamente mais relevantes no mercado brasileiro de banda larga nos últimos anos”, destacando que o M&A em FTTH “deixa de ser apenas sobre expansão de footprint e passa a ser sobre convergência, densidade, retenção e disciplina na alocação de capital.”
  • BTG Pactual confirmou que “o acordo faz sentido estratégico para a Claro” e apontou a Unifique como principal beneficiária indireta: com o mesmo múltiplo de 6,2x EBITDA aplicado à Desktop, a operadora sulista alcançaria uma valorização de cerca de 65%.
  • Santander foi direto: “A aquisição da Desktop é apenas o começo de uma onda de consolidação em um mercado de banda larga brasileiro altamente fragmentado.”

TIM e Vivo devem sentir a pressão

A compra não é boa notícia apenas para os acionistas da Desktop. Para os concorrentes, é um alerta. A XP aponta que a TIM pode ser pressionada a “definir um caminho mais claro em banda larga fixa”, já que a convergência entre móvel e fixo tem se tornado determinante para reter clientes em mercados urbanos. Para a Vivo, os analistas veem implicações “mais equilibradas”, mas ressaltam que o movimento da Claro pode “incentivar a Vivo a permanecer taticamente ativa”, seja acelerando execução ou de olho em novos ativos regionais.

O regulador não vê problema — mas a área técnica discorda

O fechamento da operação ainda passa pelo crivo do Cade e da Anatel. O presidente da Anatel, Carlos Baigorri, afirmou que “considerando a ausência de barreiras à entrada e a alta dinâmica competitiva, a Anatel não vê com preocupações essa operação” — lembrando que o Brasil tem mais de 15 mil provedores espalhados pelo país, “o mercado mais competitivo do mundo.

A declaração, porém, vai na contramão de relatório da própria área técnica da agência, produzido em outubro, que classificava a transação como motivo de “preocupação substancial” pelos potenciais efeitos negativos à rivalidade de mercado. Baigorri foi categórico: “A área técnica tem a opinião dela e, institucionalmente, quem se manifesta pela agência sou eu.

Uma divergência interna que, por si só, já diz muito sobre os interesses em jogo.

Você é cliente Desktop ou Claro e está preocupado com possíveis mudanças no atendimento, ou acredita que a fusão vai finalmente levar uma internet melhor e combos mais baratos para a sua região?

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