TF1 e M6 retomam negociações de fusão na França em 2026

Quatro anos após o fracasso regulatório, TF1 e M6 reabrem conversas sigilosas com um novo formato de deal envolvendo a gigante do frete CMA CGM.

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Uma reportagem do diário Le Parisien reacendeu um dos temas mais explosivos da televisão europeia: a fusão entre TF1 e M6, as duas maiores emissoras privadas da França. As ações da M6 dispararam na Bolsa de Paris na segunda-feira, impulsionadas pelas informações de que as duas empresas estariam em conversas confidenciais para um possível negócio.

O movimento não é novo. Em 2021, TF1 e M6 já haviam anunciado um projeto de fusão que naufragou em 2022 após o veto da Autoridade da Concorrência francesa, que considerou o risco de concentração inaceitável. Desta vez, porém, o desenho da operação mudou.

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Um novo sócio entra no tabuleiro

A diferença central em relação à tentativa anterior é a entrada de um terceiro player. O modelo em discussão prevê um desmembramento do Grupo M6 entre a TF1 e a CMA CGM, conglomerado de logística marítima que já controla a RMC BFM e detém uma participação minoritária de cerca de 10% na M6.

Pelo arranjo ventilado, a canal M6 ficaria com a TF1, enquanto a CMA CGM absorveria outros ativos do grupo, como W9 e possivelmente a 6ter. O preço por ação teria sido fixado em €20, uma valorização de 74% sobre o fechamento anterior à notícia.

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Analistas do setor receberam bem a estrutura. Segundo a corretora Oddo BHF, o esquema de divisão de ativos entre TF1 e CMA CGM preservaria concorrência suficiente no mercado publicitário televisivo francês, o que facilitaria a aprovação regulatória.

O obstáculo do relógio regulatório

Mesmo com um desenho mais sofisticado, a operação esbarra em restrições legais de prazo. A legislação francesa impede um controle acionário sobre canais da TNT (TV Digital Terrestre em tradução livre de Télévision Numérique Terrestre) por cinco anos após a renovação de suas frequências — o que bloqueia qualquer aquisição da M6 até maio de 2028. Para os demais canais do grupo, como W9, Gulli e 6ter, o prazo se estende até 2032.

Interlocutores do setor consultados pela imprensa francesa indicaram que o negócio precisaria ser concluído até o fim de 2026, antes de entrar no período de campanha eleitoral em que “nada mais acontece”.

O contexto financeiro explica tudo

A motivação econômica está no contraste entre as duas empresas. Enquanto a TF1 registrou queda mais acentuada do que o esperado em sua receita publicitária no primeiro trimestre, a M6 projeta forte audiência durante a Copa do Mundo FIFA 2026, cujos direitos de transmissão detém, e um impacto positivo no fluxo de caixa.

A alta lucratividade da M6 é o principal ativo que atrai o interesse da rival e de investidores externos. Em paralelo, ambas as empresas vinham pressionando o governo francês por uma reforma regulatória que facilitasse a consolidação do setor, incluindo a redução do período de cinco anos que congela o controle acionário após renovações de frequência.

Nenhum dos grupos confirmou oficialmente as negociações. O mercado, porém, já deu seu veredicto: as ações da M6 encerraram a semana com alta de quase 12%.

O que você acha: faz sentido uma megafusão de TV aberta num momento em que o streaming corrói as audiências lineares por todos os lados?

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