A megafusão entre Paramount Skydance e Warner Bros. Discovery ganhou mais um capítulo complicado. O regulador de concorrência britânico, a CMA (Competition and Markets Authority), anunciou nesta terça-feira a abertura formal de uma investigação de Fase 1 sobre a aquisição avaliada em US$ 110 bilhões. O prazo para a decisão inicial é 7 de agosto de 2026, quando a CMA terá que indicar se aprova o negócio ou o encaminha para uma investigação aprofundada de Fase 2.
A movimentação era esperada pelo mercado. Um porta-voz da Paramount afirmou que a abertura da investigação estava prevista e que a empresa vai cooperar com o regulador. Mesmo assim, o anúncio provocou reação nas bolsas: as ações da Paramount Skydance recuaram 0,1% no pré-mercado, enquanto os papéis da Warner Bros. Discovery cederam 1%.
O que a CMA vai analisar
Na Fase 1, a CMA vai determinar se a união entre as duas empresas apresenta “perspectiva realista de redução substancial da concorrência” no mercado britânico. O escopo é amplo: a investigação cobre dois grandes estúdios de Hollywood, duas redes de notícias (CNN e CBS), o ecossistema de streaming do HBO e dezenas de canais a cabo.
Grupos da sociedade civil e sindicatos da indústria criativa pedem uma investigação de Fase 2, argumentando que a fusão ameaça a pluralidade da mídia, poderia elevar preços para consumidores, reduzir a competição pelos direitos criativos britânicos e prejudicar salários no setor.
Frente regulatória se multiplica
O Reino Unido não está sozinho. Na União Europeia, uma investigação de Fase 1 paralela já está em curso, com prazo para 7 de julho. Estudiosos de direito antitruste estimam que uma Fase 2 europeia é provável. A Bloomberg reportou que a Paramount está disposta a desinvestir parte dos ativos de TV infantil para destravar o processo regulatório na UE.
Nos Estados Unidos, o cerco também aperta. Conforme reportado pela Reuters, Califórnia, Nova York e outros estados americanos estavam se preparando para acionar a Justiça para bloquear o negócio. A assessoria do procurador-geral da Califórnia confirmou que a investigação estadual segue ativa.
O negócio, que uniria os ecossistemas do Paramount+ e do HBO Max em um serviço com aproximadamente 200 milhões de assinantes globais, tem previsão de fechamento no terceiro trimestre de 2026, mas cada novo front regulatório coloca essa data em dúvida.
O que muda para o Brasil
Para o mercado brasileiro, o desfecho importa principalmente no campo do streaming. A Paramount já não opera canais lineares no país, Nickelodeon, MTV e Comedy Central foram descontinuados, e sua presença local se resume ao Paramount+ e ao Pluto TV. Uma fusão concluída colocaria essas duas plataformas sob o mesmo teto corporativo da HBO Max, abrindo caminho para uma eventual consolidação ou reposicionamento da oferta de streaming no Brasil.
Você acredita que a fusão vai passar pela regulação europeia e britânica sem grandes concessões ou a Paramount vai ter que abrir mão de ativos importantes para fechar o negócio?
