O setor de TV por satélite acaba de sofrer mais um golpe simbólico que reforça a tendência de “cord-cutting” (corte de cabos e antenas) ao redor do mundo. A American Forces Network (AFN), rede que serve comunidades militares dos EUA em todo o planeta, anunciou o desligamento completo de seus serviços tradicionais de transmissão direta via satélite.
A partir de 22 de março de 2026, os oito canais que antes viajavam pelo espaço para chegar às parabólicas em casas e bases militares na Europa e Ásia serão desativados. O motivo? O alto custo de manutenção da infraestrutura e a mudança drástica no comportamento do público, que hoje prefere o conteúdo sob demanda.
O novo destino: Aplicativo AFN Now
A mudança não significa o fim do serviço, mas uma troca de plataforma. Os mais de 400 mil espectadores (entre militares, civis e aposentados no exterior) deverão migrar para o aplicativo AFN Now. Lançada em 2022, a plataforma já conta com quase 60 mil usuários e oferece transmissões ao vivo de canais como AFN Sports, AFN News e AFN Prime.
Para os usuários, a vantagem é o fim da dependência de grades fixas e fusos horários complicados, já que o app oferece uma biblioteca on-demand. O serviço continua gratuito para o pessoal autorizado e é compatível com dispositivos populares como Roku, Apple TV, Amazon Fire TV e consoles Xbox.
Tendência Irreversível
O desligamento da AFN é um reflexo do que acontece no setor civil. Com o avanço da fibra óptica e da internet de alta velocidade, manter satélites caros para distribuir sinal de TV tornou-se um desafio financeiro para muitas operadoras.
- Economia: A rede pretende reinvestir o dinheiro economizado com o aluguel de satélites na compra de conteúdos de melhor qualidade.
- Exceção Marítima: Apenas os navios da Marinha e da Guarda Costeira continuarão recebendo o sinal via satélite (através de antenas especiais de 1,8 metro), já que em alto mar a conexão de internet nem sempre é estável o suficiente para streaming.
Este movimento serve de alerta para o mercado global: o futuro da televisão é, cada vez mais, dependente da conexão de dados e menos da orientação de uma antena para o céu.
