A Disney não quer mais que o Disney+ seja apenas um catálogo de filmes e séries. Sob o comando do novo CEO Josh D’Amaro, a plataforma deve se tornar o que a empresa chama de “centro digital imersivo e interativo” — um hub que conecta streaming, esportes, games e experiências dos parques temáticos em um único ecossistema.
A ambição foi apresentada durante a divulgação dos resultados do segundo trimestre fiscal, em que a empresa registrou receita de US$ 25,2 bilhões e lucro operacional de US$ 4,6 bilhões. Com números sólidos na mão, D’Amaro sinalizou que o investimento em tecnologia — especialmente inteligência artificial — será um dos pilares centrais da gestão.
IA como motor criativo, não como substituto
A estratégia de IA da Disney mira três frentes principais: produção de conteúdo, personalização de experiências e eficiência operacional. Na prática, isso significa usar ferramentas de inteligência artificial para acelerar fluxos de animação, gerar conceitos visuais e auxiliar no desenvolvimento de narrativas complexas — reduzindo prazos de produção sem abrir mão da qualidade.
A empresa faz questão de frisar que a IA funcionará como ferramenta de apoio, não como substituta dos profissionais criativos. Roteiristas, diretores e animadores continuarão no centro do processo. A promessa é que a tecnologia amplie possibilidades artísticas que antes eram inviáveis por limitações de tempo ou custo.
No streaming, sistemas inteligentes poderão analisar preferências dos assinantes para recomendar conteúdo de forma mais precisa — ou até ajustar elementos da experiência em tempo real. Nos parques, a IA pode alimentar atrações interativas que se adaptam a cada visitante individualmente.
Churn: a obsessão do novo CEO
D’Amaro foi direto ao apontar a redução de cancelamentos como “a oportunidade mais significativa” da empresa. Para ele, aumentar o engajamento dentro do Disney+ é a chave para manter assinantes — e a transformação da plataforma em algo maior que um serviço de vídeo é o caminho para isso.
A visão expande o que Bob Iger já havia esboçado antes de deixar o cargo. Em novembro do ano passado, Iger descreveu o Disney+ como “um portal para tudo que é Disney”, incluindo games, comércio e conteúdo gerado por IA pelos próprios usuários. Esse último pilar, porém, sofreu um revés: a OpenAI encerrou o aplicativo Sora, o que travou os planos da Disney de permitir que fãs criassem e compartilhassem vídeos com personagens como Mickey Mouse na plataforma.
Números que sustentam a aposta
A divisão de entretenimento cresceu 10% em receita, atingindo US$ 11,7 bilhões. O segmento de experiências contribuiu com US$ 9,5 bilhões. A empresa também ampliou a autorização de recompra de ações e projetou crescimento de 12% no lucro ajustado por ação para o ano fiscal completo.
Com essa base financeira, a Disney segue buscando parcerias com desenvolvedores de IA e equilibrando investimentos entre propriedades intelectuais consagradas e apostas originais — como novos projetos da Pixar que já receberam retornos positivos em testes iniciais.
A Disney está certa em apostar tudo no Disney+ como o coração digital da empresa, ou corre o risco de sobrecarregar uma plataforma que muitos usam só para assistir séries?
