Durante a realização da IBC 2026, maior feira de tecnologia de mídia e entretenimento da Europa, a Google revelou os bastidores do seu plano para liderar a monetização na próxima geração da televisão aberta brasileira. Em entrevista concedida à SET no pavilhão de convenções em Amsterdã, Bruno Lopes, Revenue Lead para Media and Entertainment da gigante tecnológica, detalhou como está adaptando sua infraestrutura global para integrar anúncios personalizados, elementos gráficos interativos e formatos de compras diretamente na tela da TV 3.0 (DTV+).
A estratégia da Google para a TV 3.0 está concentrada na camada conectada à internet (broadband), módulo responsável por unificar o sinal tradicional de transmissão com os recursos digitais das Smart TVs. Para acelerar esse ecossistema, a multinacional lançou o programa Ad Manager Technology Partner, uma certificação oficial voltada a empresas parceiras que fornecem infraestrutura de mídia, como ferramentas de codificação, transcodificação, analytics e distribuição de vídeo. A medida permite que grandes redes de comunicação e canais abertos adotem soluções de faturamento pré-testadas e homologadas, reduzindo drasticamente o custo e o tempo de implementação dos projetos digitais.
O grande trunfo comercial da nova plataforma reside no salto tecnológico entre os modelos de veiculação de anúncios. Na TV tradicional, todos os telespectadores assistem exatamente ao mesmo comercial durante o intervalo. Com a TV 3.0, a Google passa a aplicar tecnologias como o DAI (Dynamic Ad Insertion), sistema que substitui o bloco comercial genérico por anúncios direcionados ao perfil de quem está assistindo, permitindo que dois vizinhos sintonizados no mesmo canal de notícias vejam propagandas completamente diferentes ao mesmo tempo.
A evolução mais interessante, no entanto, chega com o formato SGAI (Server Guided Ad Insertion), modelo que transforma a TV em uma plataforma interativa sem interromper a transmissão principal. Na prática: enquanto um jogo de futebol é exibido, o sinal do jogo pode ser reduzido para uma janela menor na tela (double box) enquanto o espaço restante exibe estatísticas em tempo real, um menu de pedidos de comida ou ofertas shoppable via código QR. Da mesma forma, durante a exibição de uma novela, banners discretos em formato de “L” podem apresentar os figurinos dos atores com links diretos para compra instantânea pelo controle remoto.
A atuação da Google envolve colaboração diária com os fóruns técnicos do DTV+, ajustando codecs de áudio e vídeo, protocolos de segurança e parâmetros de entrega nos laboratórios da empresa. Testes práticos realizados com parceiros de mídia no Brasil confirmaram a estabilidade das ferramentas em transmissões ao vivo de grande porte. A meta do setor agora é expandir a escala de distribuição, preparando os canais de televisão e os fabricantes de Smart TVs para um modelo de negócios híbrido, onde a gratuidade da TV aberta se apoia em uma publicidade digital hipersegmentada e altamente rentável.
Veja a entrevista completa:
