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Milton Gonçalves morre aos 88 anos no Rio de Janeiro

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Faleceu nesta segunda-feira, dia 30 de maio, o ator e diretor Milton Gonçalves. Vítima de complicações de um AVC, o ator faleceu aos 88 anos e deixa três filhos, dois netos e um legado que se confunde com a história da própria TV brasileira.

Nascido em 9 de janeiro de 1934, na pequena cidade de Monte Santo, em Minas Gerais, filho de camponeses, mudou-se com a família ainda pequeno para São Paulo, onde foi aprendiz de sapateiro, de alfaiate e de gráfico. Fez teatro infantil e amador e estreou profissionalmente em 1957, no mítico Teatro de Arena, na peça ‘Ratos e Homens’. Depois de uma turnê nacional, decidiu morar no Rio. “Sofri todos os percalços entendendo, mas não concordando, com o preconceito racial, que foi um trauma na minha vida. Assim, o teatro para mim foi a grande salvação”, revelou, certa vez, em entrevista ao site Memória Globo.

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Milton participou do primeiro elenco de atores da Globo. Ele chegou à emissora a convite do ator e diretor Otávio Graça Mello, de quem fora companheiro de set no filme ‘Grande Sertão’ (1965), dos irmãos Geraldo e Renato Santos Pereira. Dirigido por Graça Mello, participou das primeiras experiências dramatúrgicas da Globo: o seriado Rua da Matriz, de Lygia Nunes, Hélio Tys e Moysés Weltman, e a novela ‘Rosinha do Sobrado’, de Moysés Weltman.

Estreou como diretor de TV na novela ‘Irmãos Coragem’ (1970), de Janete Clair, um marco da televisão brasileira. A partir daí, esteve em várias produções icônicas da emissora: foi o Professor Leão do infantil ‘Vila Sésamo’ (1972); o médico Percival, de Pecado Capital (1975); o Filé, de ‘Gabriela’ (1975), de Walter George Durst; dirigiu os primeiros capítulos da novela ‘Selva de Pedra’ (1972), de Janete Clair; e, em ‘Roque Santeiro’ (1985), de Dias Gomes, interpretou o promotor público Lourival Prata. Também trabalhou em minisséries como ‘Tenda dos Milagres’ (1985), adaptação do romance de Jorge Amado por Aguinaldo Silva; ‘As Noivas de Copacabana’ (1992), de Dias Gomes, Ferreira Gullar e Marcílio Moraes; em ‘Agosto’ (1993), adaptação da obra de Rubem Fonseca por Jorge Furtado e ‘Giba’, de Assis Brasil; e em ‘Chiquinha Gonzaga’ (1999), de Lauro César Muniz, deu vida ao maestro Henrique Alves de Mesquita.

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Por conta de sua marcante atuação como Pai José, Milton esteve nas duas versões de ‘Sinhá Moça’: na original (1986) e no remake (2006), pelo qual foi indicado ao Emmy Internacional como melhor ator. Na cerimônia de entrega, Milton Gonçalves apresentou o prêmio de melhor programa infantil/adolescente ao lado da atriz Susan Sarandon. Foi a primeira vez que um brasileiro apresentou um Emmy Internacional.

Milton também participou de uma vasta e diversa produção cinematográfica. Foram mais de 50 títulos como ‘Cinco Vezes Favela’ (1962), ‘Gimba, presidente dos Valentes’ (1963), ‘A Rainha Diaba’ (1974), ‘O Beijo da Mulher Aranha’ (1985), ‘O Que É isso, Companheiro?’ (1997), ‘Carandiru’ (2003), ‘Xuxa e o Tesouro da Cidade Perdida’ (2007). Em 2008, interpretou o personagem Romildo Rossi, um político corrupto, em ‘A Favorita’, de João Emanuel Carneiro, atualmente no ar na TV Globo, no ‘Vale a Pena Ver de Novo’. No filme ‘Segurança Nacional’ (2010), fez o papel do primeiro presidente negro da história do Brasil.

Em 2011, Milton Gonçalves trabalhou na novela ‘Insensato Coração’, de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, como Gregório Gurgel. No ano seguinte, voltaria a atuar numa trama de época, ao interpretar o Afonso Nascimento em ‘Lado a Lado’, novela de João Ximenes Braga e Claudia Lage, que ganhou o prêmio Emmy Internacional. Participou ainda de ‘Pega Pega’ (2017), como Cristovão, e de ‘O Tempo não Para’ (2018), como Eliseu.

Paraquedista, pirófago (engolidor de fogo), mecânico, Milton viveu muitas vidas em uma carreira com papéis de destaque por todas as áreas e gêneros da dramaturgia – da comédia ao drama, emocionou, fez rir e ecoar sua voz contra o racismo. Em 2019, atuou na minissérie ‘Se eu Fechar os Olhos Agora’, da Globo Now, inspirada na obra homônima de Edney Silvestre. No mesmo ano, encarnou o aposentado Orlando, que com a ajuda da neta Letícia (Gabriely Mota) se tornava Papai Noel, do especial de Natal ‘Juntos a Magia Acontece’. “Estar aqui e fazer esse personagem me emociona. É uma batalha de muitos anos, de séculos. A gente tem que eliminar o medo, tem que batalhar. Vou fazer o melhor Papai Noel que eu puder”, celebrou ele, com uma alegria quase juvenil na época das gravações.

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