Benedito Ruy Barbosa morreu nesta terça-feira (7), aos 95 anos, em São Paulo. O HCor, hospital onde ele estava internado, confirmou a informação na manhã de hoje e apontou complicações de insuficiência renal crônica como causa da morte, condição que o autor enfrentava havia três anos, com internações recorrentes por infecções urinárias associadas ao quadro renal.
Foi justamente esse tipo de complicação que o levou ao hospital em janeiro, quando recebeu alta após tratamento. A recorrência do problema, no entanto, não deu trégua.
Um currículo que moldou a novela das seis (e das nove)
Poucos nomes na história da TV Globo têm um peso comparável ao de Ruy Barbosa. Ao longo de décadas, ele assinou títulos que se tornaram sinônimo de novela de sucesso:
- Rei do Gado (1996)
- Terra Nostra (1999)
- Pantanal (Rede Manchete, 1990)
- Renascer (1993)
- Sinhá Moça (1986)
- Velho Chico (2016), sua última obra original na emissora
A marca registrada do autor era o universo rural — fazendas, imigrantes, dramas de terra e sangue —, um tema que vinha diretamente da própria infância entre cafezais no interior paulista.
De faxineiro a maior novelista rural do país
A trajetória de Benedito até chegar à Globo não teve nada de linear. Órfão de pai aos 11 anos, precisou trabalhar cedo para sustentar a família, passando por empregos como auxiliar de guarda-livros, vendedor de verduras em feira e faxineiro de banco antes de se firmar como escritor.
Sua estreia na TV veio ainda nos anos 1960, pela extinta TV Tupi, e o contrato de sucesso com a Globo só se consolidaria em 1976, com “O Feijão e o Sonho”. Também passou pela TV Bandeirantes, onde escreveu “Os Imigrantes” (1981).
O legado que atravessa gerações
Poucos autores de novela têm o privilégio de ver o próprio trabalho remakeado — e Benedito viu isso acontecer várias vezes. “Cabocla” ganhou nova versão em 2004, “Paraíso” em 2009, “Pantanal” voltou à telinha em 2022 com Marcos Palmeira reprisando papel, e “Renascer” foi refeita em 2024.
Esses dois últimos remakes carregam um detalhe especial: foram assinados pelo neto do autor, Bruno Luperi, que segue a tradição da família ao lado das tias Edmara e Edilene Barbosa, também roteiristas.
Qual foi a novela de Benedito Ruy Barbosa que marcou sua vida?
