A anunciada fusão entre Paramount Skydance e Warner Bros. Discovery (WBD) por US$ 110 bilhões trouxe repercussões globais para o mercado de mídia e entretenimento. Nos Estados Unidos, a discussão gira em torno de sinergias óbvias, como a já confirmada junção entre HBO Max e Paramount+. Na Europa, porém, outro streaming deve ser “absorvido”. Trata-se da SkyShowtime.
A SkyShowtime é uma joint venture 50/50 entre Paramount e Comcast, operando atualmente em 22 mercados europeus. A plataforma reúne conteúdos da Paramount, NBCUniversal e Sky e utiliza a infraestrutura tecnológica da Peacock, serviço da Comcast.
Segundo estimativas da Omdia citadas em análises recentes do setor, a SkyShowtime teria registrado cerca de €275 milhões em receita em 2024, mas acumulado prejuízo operacional de €544 milhões no mesmo período, com perdas acumuladas que se aproximam de €1,3 bilhão desde o lançamento. A base estimada gira em torno de 6,2 milhões de assinantes.
Com a conclusão da fusão, a Paramount passará a controlar a HBO Max, que já opera nos mesmos mercados europeus onde a SkyShowtime está presente, incluindo países nórdicos, Europa Central e Oriental, Península Ibérica e Holanda.
Isso cria um cenário em que a nova Paramount controlaría a HBO Max e 50% da SkyShowtime. Ou seja, a união entre as duas plataformas é praticamente certa.
O modelo original da joint venture foi estruturado quando Paramount e Comcast atuavam como parceiros não concorrentes. Com a incorporação da WBD, essa dinâmica passa a envolver interesses potencialmente sobrepostos no segmento de streaming premium.
A Comissão Europeia tende a avaliar de perto eventuais impactos concorrenciais, especialmente em regiões como Polônia, países nórdicos e partes da Europa Central e Oriental, onde a concentração de serviços premium de streaming deve aumentar.
Os próximos passos deverão ser anunciados oficialmente apenas em alguns meses, caso o processo de fusão se conclua.
