Vale a pena assinar o TIM PLAY? Análise revela “canais fantasmas” e falhas no catálogo

Com pacotes a partir de R$ 9,90, o novo agregador da operadora promete unificar a experiência da TV paga, trazendo canais premium e streamings.

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O cenário das plataformas de distribuição de vídeo no Brasil ganhou recentemente uma nova opção, que estreia com algumas controvérsias e mistérios técnicos. A operadora TIM oficializou o lançamento do TIM PLAY, sua plataforma própria que combina transmissões de canais lineares com um acervo sob demanda (on demand). O serviço, que vinha sendo especulado em comunidades de tecnologia, tenta fisgar o consumidor pela promessa de centralizar o entretenimento doméstico, mas uma análise minuciosa (veja abaixo) acendeu alertas.

A estrutura comercial da plataforma foi dividida em três prateleiras financeiras bem distintas. O pacote de entrada, batizado de Standard, custa R$ 9,90 mensais, porém limita o usuário a uma biblioteca enxuta de filmes e séries, sem o fornecimento de qualquer sinal de TV ao vivo. O degrau intermediário fica por conta do plano Advanced, tabelado em R$ 29,90 por mês, que passa a integrar canais da parabólica, emissoras religiosas e afiliadas regionais da TV Globo. O topo da cadeia pertence ao plano Premium, que cobra R$ 89,90 mensais para liberar o pacote completo de TV fechada.

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O mistério dos “canais fantasmas”

Embora o pacote mais caro traga um portfólio robusto de conteúdo — incluindo os três canais SporTV, os canais ESPN, além de marcas consagradas como GloboNews, Warner Channel, Universal e de notícias como a Times Brasil CNBC, o mapeamento do site oficial da operadora revelou gafes graves de atualização. Na seção voltada ao público infantojuvenil e de entretenimento, a plataforma lista canais que já foram completamente descontinuados do mercado televisivo brasileiro.

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Marcas como Nickelodeon, Nick Jr. e Comedy Central aparecem com destaque na grade oficial, gerando confusão nos consumidores, uma vez que tais marcas encerraram suas transmissões no país ou passaram por profundas reformulações pelo grupo Paramount. A suspeita nos bastidores é de que o material de divulgação tenha sido baseado em listas antigas de TV paga ou que o serviço pretenda retransmitir feeds alternativos de plataformas gratuitas, o que expõe uma falta de refinamento no lançamento de um produto que carrega o selo de uma gigante das telecomunicações.

Catálogo sem imagens

Em review do canal do YouTube Rafael Sou Digital, a experiência de navegação no portal também entrega sinais de um desenvolvimento apressado. Quem tenta explorar o catálogo de filmes e séries depara-se com um layout que falha ao carregar as capas oficiais das produções, exibindo apenas títulos em texto de obras como Uma Sombra na Nuvem e A Vida Eletrizante de Louis Wayne. Além disso, a TIM optou por restringir drasticamente o acesso à novidade.

“O serviço não está disponível para contratação avulsa pelo grande público. Para ter direito ao acesso, o consumidor precisa obrigatoriamente ser cliente pessoa física dos segmentos móveis pós-pago fatura ou controle fatura da operadora”, explica a análise.

A estratégia replica o modelo fechado adotado por concorrentes diretos, como a Vivo em suas soluções de mídia vinculadas aos planos de internet e telefonia.

Plataformas suportadas e pacotes adicionais

Em termos de compatibilidade de software, o aplicativo do TIM PLAY já começou a ser distribuído nas principais lojas digitais. O sistema possui suporte oficial para smartphones e tablets equipados com Android e iOS, computadores através dos navegadores mais populares (Chrome, Safari e Edge) e ecossistemas de Smart TVs da Samsung e LG (com WebOS) fabricados a partir de 2022, além do ecossistema Android TV e Google TV. O sistema Roku, de forte penetração no mercado nacional, ficou de fora da listagem inicial.

Para tentar justificar o valor de R$ 89,90 do plano mais completo frente a rivais consolidados do segmento de IPTV, a operadora aposta no modelo de Hub de assinaturas. Dentro do painel do usuário, é possível acoplar serviços adicionais em formato à la carte, como os canais Telecine (por R$ 29,90), o pay-per-view do Premiere (por R$ 59,90), além de faturamento unificado para gigantes do setor, incluindo Netflix, Disney+, HBO Max, Globoplay e YouTube Premium. Uma locadora digital integrada para aluguel avulso de lançamentos do cinema fecha o pacote de estreia da plataforma.

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