Os videopodcasts deixaram de ser uma tendência de nicho e passaram a ocupar espaço relevante no consumo global de vídeo online. É o que mostra um levantamento recente da Ampere Analysis: 20% dos usuários de internet no mundo assistiram a um podcast em vídeo nas redes sociais, só no último mês (dados do terceiro trimestre de 2025).
O crescimento acelerado transformou o formato em uma das frentes mais estratégicas na disputa por tempo de tela. Diferentemente de séries e produções roteirizadas, o videopodcast combina custo reduzido, longa duração e forte retenção de audiência, modelo altamente atrativo para plataformas digitais.
YouTube lidera, TikTok impulsiona cortes
De acordo com a Ampere, o YouTube é hoje o principal destino para videopodcasts: 11% dos usuários globais assistiram a esse tipo de conteúdo na plataforma no último mês. Já o TikTok se consolidou como ambiente de descoberta, com trechos curtos e cortes viralizados que funcionam como porta de entrada para episódios completos.
O fenômeno também se conecta a uma tendência mais ampla. Dados recentes do próprio YouTube indicam que a TV conectada já representa uma fatia significativa do consumo de conteúdo longo na plataforma, reforçando que o podcast em vídeo deixou de ser apenas mobile, passando a ocupar espaço na sala de estar.
Brasil no centro da expansão
O estudo destaca que os videopodcasts são especialmente populares em mercados “mobile-first” como Brasil, Índia, Indonésia e Malásia. No caso brasileiro, o contexto é particularmente favorável:
- O país está entre os maiores consumidores de YouTube do mundo.
- O formato podcast já possui forte penetração em áudio.
- A cultura de cortes virais impulsiona alcance orgânico nas redes.
Relatórios do IAB Brasil e do mercado publicitário indicam que o investimento em creators e branded content continua crescendo, e o videopodcast surge como formato híbrido: mistura entretenimento, debate e publicidade integrada de forma menos intrusiva.
Além disso, 60% das pessoas que assistem a podcasts em vídeo também consomem a versão em áudio ao menos algumas vezes por semana — contra uma média global de 36% entre usuários de internet em geral. Ou seja, o vídeo não substitui o áudio: ele amplia o ecossistema.
Jovens puxam a audiência
A pesquisa mostra que pessoas entre 18 e 34 anos são 24% mais propensas do que a média a assistir a videopodcasts. No Brasil, essa faixa etária concentra grande parte do consumo de redes sociais e streaming, o que reforça o potencial comercial do formato.
Enquanto isso, mercados tradicionais como Estados Unidos, Espanha e Canadá também já registram 20% de engajamento mensal com videopodcasts, um claro sinal de que o movimento deixou de ser regional e se tornou global.
