A maior “novela” do mercado de mídia e entretenimento nos últimos anos ganhou um desfecho. A Paramount Skydance Corporation anunciou que firmou um acordo definitivo para adquirir a Warner Bros. Discovery (WBD), em uma transação que promete redesenhar o cenário global do streaming, do cinema e da televisão. O acordo acontece horas após a desistência da Netflix.
Pelos termos do acordo, a Paramount pagará US$ 31,00 por ação da WBD em dinheiro. A operação foi aprovada por unanimidade pelos conselhos das duas empresas e deve ser concluída no terceiro trimestre de 2026, dependendo de aprovações regulatórias e do aval dos acionistas da WBD, previsto para a primavera do próximo ano nos Estados Unidos.
Caso o fechamento não ocorra até 30 de setembro de 2026, os acionistas da Warner Bros. Discovery receberão uma taxa adicional de US$ 0,25 por ação a cada trimestre de atraso, mecanismo conhecido como “ticking fee”.
O que muda com a fusão Paramount e Warner
A combinação das duas companhias cria uma das maiores estruturas de entretenimento do mundo, reunindo estúdios, redes lineares, plataformas de streaming e um dos portfólios de propriedade intelectual mais valiosos da indústria.
Entre as franquias envolvidas estão Harry Potter, Game of Thrones, DC, O Senhor dos Anéis, Missão: Impossível, Top Gun, Star Trek e Bob Esponja, além de um catálogo estimado em mais de 15 mil filmes e milhares de horas de programação televisiva.
David Ellison, CEO da Paramount, afirmou que o objetivo é unir dois estúdios históricos para formar uma empresa de mídia “de próxima geração”, mantendo as marcas e ampliando investimentos em criatividade e tecnologia.
Já David Zaslav, CEO da WBD, destacou que o acordo maximiza o valor dos ativos da companhia e oferece mais previsibilidade aos investidores.
Streaming mais forte: Paramount+, HBO Max e Pluto
Um dos pontos centrais da fusão é o fortalecimento do streaming. A união de Paramount+, HBO Max e Pluto TV promete criar um competidor direto ainda mais robusto no mercado global, ampliando alcance, engajamento e monetização.
A nova empresa pretende acelerar o crescimento de assinantes e investir em integração tecnológica para melhorar a experiência do usuário e reduzir redundâncias operacionais.
Cinema seguirá com janela exclusiva
A Paramount confirmou que todos os filmes continuarão tendo lançamento completo nos cinemas, com uma janela mínima global de 45 dias antes de chegarem ao vídeo sob demanda. A intenção é manter períodos entre 60 e 90 dias para grandes blockbusters, reforçando o modelo tradicional de exibição.
Após a etapa nos cinemas, os títulos seguirão a janela padrão de home video antes de chegarem ao streaming por assinatura.
Esportes e TV linear permanecem estratégicos
A empresa combinada terá um portfólio esportivo expressivo, incluindo direitos da NFL, Olimpíadas, UFC, NHL, Champions League, Big Ten, NCAA e PGA Tour, entre outros.
No segmento de TV linear, a expectativa é fortalecer a geração de caixa por meio da integração de canais de entretenimento, notícias e esportes, além de oferecer soluções publicitárias mais integradas.
Alcance global e investimentos bilionários
Com presença em mais de 200 países e territórios, a nova companhia pretende ampliar produções locais e distribuição internacional. A Paramount também reiterou que continuará investindo pesado em conteúdo e em acordos estratégicos, como os já firmados com criadores e franquias relevantes nos últimos anos.
Se aprovada pelas autoridades regulatórias, a fusão pode marcar uma das maiores consolidações da história recente da indústria do entretenimento, e reposicionar o equilíbrio de forças no mercado global de streaming.
Agora, o setor aguarda os próximos passos regulatórios e a reação dos investidores a um movimento que promete redefinir o futuro de Hollywood.
