Existe uma semana em que Christopher Nolan estreia um filme e existe todo o resto. Na quinta-feira (16), A Odisseia chega aos cinemas brasileiros como o evento cinematográfico do ano, possivelmente da década. As primeiras reações da crítica internacional, liberadas após as sessões de imprensa em Londres, são unânimes: estamos diante de um dos maiores filmes da carreira de Nolan.
A Odisseia: Nolan fez o impossível (de novo)
A Odisseia (The Odyssey, EUA/Reino Unido) adapta o poema épico de Homero com 2 horas e 53 minutos de duração, orçamento de US$ 250 milhões e uma decisão que define o projeto: é o primeiro longa-metragem inteiramente filmado em IMAX na história do cinema. Filmado em 91 dias na Grécia, Itália, Marrocos, Islândia e Escócia, o filme conta a jornada de Odisseu (Matt Damon) de volta a Ítaca após a Guerra de Troia.
O embargo de mídias sociais foi levantado em 6 de julho, uma semana antes do embargo completo de críticas e o que se seguiu foi uma avalanche de superlativos. A Variety chamou o filme de uma conquista assombrosa, um épico triunfante e espetacular, com performances genuinamente grandiosas. O Los Angeles Times descreveu a experiência como avassaladora — terrena, fantasmagórica, pesada, tocada por humor e grandiosidade. O Discussing Film destacou a sequência de Samantha Morton como talvez a melhor de todo o filme, e a primeira incursão de Nolan no horror propriamente dito.
O elenco é uma constelação: Anne Hathaway (Penélope), Tom Holland (Telêmaco), Robert Pattinson, Lupita Nyong’o, John Leguizamo, Zendaya, Charlize Theron, Jon Bernthal, Elliot Page e Samantha Morton. O IndieWire já aponta Matt Damon como candidato ao Oscar de Melhor Ator e o filme como o favorito ao Melhor Filme.
Nolan desenvolveu, junto à equipe IMAX, uma tecnologia inédita para silenciar as câmeras IMAX — tradicionalmente barulhentas demais para cenas íntimas — permitindo pela primeira vez usar o formato tanto em sequências épicas quanto em diálogos de close. Distribuição: Universal. IMAX.
Xica da Silva: 50 anos de um clássico em restauração
Xica da Silva (Brasil, 1976) volta aos cinemas em cópia restaurada. O filme de Carlos Diegues, estrelado por Zezé Motta, conta a história da escravizada que seduziu o milionário João Fernandes (Walmor Chagas) e se tornou dama da sociedade de Diamantina na segunda metade do século XVIII.
O relançamento marca os 50 anos de um dos filmes mais emblemáticos do Cinema Novo tardio — e uma oportunidade rara de ver Zezé Motta no papel que a consagrou, em tela grande. José Wilker, Altair Lima e Stepan Nercessian completam o elenco. Distribuição: Vitrine Filmes.
A Noite de Alaíde: animação e memória da bossa nova
A Noite de Alaíde (Brasil) é um documentário-animação de Liliane Mutti sobre Alaíde Costa, a cantora do subúrbio carioca que chegou às rodas da zona sul do Rio nos anos 1960 e se tornou uma das vozes mais subestimadas da música brasileira. Contemporânea de Tom Jobim e João Gilberto, Alaíde nunca teve o reconhecimento comercial proporcional ao talento. Distribuição: Bretz Filmes. Classificação: 12 anos.
https://www.youtube.com/watch?v=vRb73nIRtvk
Cinema europeu de festival
A Divina Sarah Bernhardt (Sarah Bernhardt, La Divine, França) — Drama histórico de Guillaume Nicloux sobre a primeira grande estrela internacional do entretenimento. Na Paris de 1896, Sarah Bernhardt (Sandrine Kiberlain) enfrenta escândalos e reinventa o teatro. Com Laurent Lafitte e Amira Casar. Distribuição: Imovision. Classificação: 16 anos.
Diva Futura (Itália) — Drama de Giulia Louise Steigerwalt que competiu no Festival de Veneza 2024. O filme acompanha a ascensão de Riccardo Schicchi (Pietro Castellitto) e sua agência de entretenimento adulto na Itália dos anos 1980 e 1990, com Cicciolina eleita ao Parlamento e Moana Pozzi candidata a prefeita. No IMDb, a nota é 6.0. A crítica elogia as performances e a leveza com que Steigerwalt trata um tema espinhoso, mas aponta um roteiro disperso. Comparações com Boogie Nights são inevitáveis — e não favorecem o filme. Distribuição: Imovision.
Cinema nacional
Quando Tudo Joga Contra (Brasil) — Drama de Otavio Chamorro sobre um zagueiro popular do time de futsal e um nerd da escola que passam a conviver quando o esportista percebe que está prestes a reprovar em literatura.
