SpaceX pede à FCC autorização para 100 mil satélites Gen3

Pedido apresentado nesta semana propõe frota dez vezes maior que a atual e promete internet de altíssima velocidade para bilhões de dispositivos de IA.

Publicidade

A SpaceX quer multiplicar sua frota orbital por dez. A empresa de Elon Musk protocolou na segunda-feira, 6 de julho, um pedido formal à Federal Communications Commission (FCC), órgão regulador de telecomunicações dos Estados Unidos, para lançar e operar até 100 mil satélites de terceira geração, batizados de Gen3.

Se aprovado, o número representa quase sete vezes a atual constelação Gen2, que soma cerca de 15 mil satélites autorizados. Para efeito de comparação, existem hoje aproximadamente 10 mil satélites ativos em órbita somando todos os operadores do mundo, a SpaceX está pedindo para lançar sozinha dez vezes esse total.

O pedido não é sobre banda larga rural. SpaceX afirma que os satélites Gen3, cada um pesando cerca de 2.000 quilos e lançáveis apenas pelo foguete Starship, ainda em desenvolvimento, prometem multiplicar por dez a capacidade de download e por 22 vezes a capacidade de upload.

A justificativa da SpaceX aposta pesado na narrativa de infraestrutura para inteligência artificial. Em seu pedido à FCC, a empresa descreveu o sistema Gen3 como uma infraestrutura de comunicação “robusta, resiliente e onipresente“, capaz de lidar com a maior parte do tráfego de internet do mundo.

Tecnicamente, a proposta é ambiciosa:

  • Órbita ultrabaixa: a constelação operaria em duas camadas de órbita muito baixa, com altitudes nominais entre 323 e 327,5 km e entre 473 e 477,5 km, com inclinações entre 26° e 96,9°.
  • Novo espectro: o sistema pretende explorar novas faixas de frequência nas bandas W e D, entre 92 e 275 GHz, além das já usadas bandas Ku, Ka, V e E.
  • Escala de lançamento: para dar conta do volume, a SpaceX projeta usar o Starship para colocar até 60 satélites Gen3 por missão, contra cerca de 20 a 23 satélites Starlink por lançamento do Falcon 9 atualmente.

Vale destacar que esse pedido é distinto do projeto “Starmind“, um conceito separado de data center orbital para o qual a empresa já havia pedido autorização para lançar até um milhão de satélites com cargas de computação de IA.

O que isso significa para o Brasil

A conversa não é abstrata para o consumidor brasileiro. O país já é o segundo maior mercado da Starlink no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, a empresa afirma ter ultrapassado a marca de 1 milhão de assinantes por aqui, embora os números oficiais reportados à Anatel sejam mais conservadores, girando em torno de 790 mil a 900 mil conexões ativas.

Uma constelação Gen3 mais densa e com maior capacidade tende a se traduzir, no médio prazo, em velocidades maiores e latência menor para quem já usa o serviço no campo, na Amazônia ou em áreas sem fibra óptica. Mas há um porém importante: os satélites Gen3 exigem antenas e infraestrutura terrestre atualizadas, o que pode significar upgrade de equipamento para os assinantes atuais.

O momento também é sensível no radar regulatório nacional. A Anatel aprovou recentemente a liberação de faixas de espectro para conexão direta a celulares (tecnologia Direct-to-Device), com lançamento comercial da Starlink previsto para 2027 no Brasil, movimento que caminha em paralelo à expansão da frota global da empresa.

A conta não fecha sem o Starship

Todo o plano depende de uma peça que ainda não existe em escala operacional: o Starship. A matemática dos 100 mil satélites só funciona se o Starship atingir cadência operacional elevada, sem o foguete em escala, o número é aspiracional; com ele, se torna um cronograma plurianual factível.

A movimentação também ocorre em meio a uma reestruturação mais ampla da SpaceX rumo à IA: a empresa segue desenvolvendo o projeto Starmind e o satélite AI1 em sua fábrica no Texas, além de ter anunciado a aquisição da desenvolvedora da ferramenta de programação Cursor por US$ 60 bilhões em ações.

Resta à FCC decidir se referenda a ambição. A agência americana vota em 22 de julho uma “Space Modernization Order” que pode simplificar o licenciamento de satélites, uma decisão que, direta ou indiretamente, também vai pesar no futuro da conectividade via satélite no Brasil.

E você, sente diferença na sua conexão Starlink hoje? Vale a pena esperar por essa nova geração de satélites ou a fibra óptica ainda ganha na comparação? Conta pra gente nos comentários.

Smart TV
Confira as principais ofertas em TVs Smart TVs com os melhores preços na Amazon
Ver Oferta

Leia também

0 Comentários
Publicidade

+ notícias

O Além da Tela está no WhatsApp!

Entre no canal e acompanhe notícias e novidades em primeira mão.

WhatsApp

Leia mais