Mais de 1,7 milhão de lares deixaram a TV paga tradicional nos Estados Unidos entre janeiro e junho de 2026. O número já é expressivo — mas é só a ponta do iceberg.
A conta considera apenas as operadoras que divulgam dados públicos de assinantes. Gigantes como DIRECTV e Cox simplesmente pararam de informar seus números, e um exército de pequenas operadoras regionais também não presta contas. Somando essas ausências, analistas acreditam que o total real de cancelamentos pode ultrapassar os 2 milhões no semestre.
Quem mais perdeu assinantes
A EchoStar, dona do satélite DISH e do serviço via streaming Sling TV, lidera o ranking negativo. A empresa perdeu 366 mil assinantes no primeiro trimestre e mais 241 mil no segundo — um total de 607 mil clientes a menos em seis meses.
O restante do topo da lista:
- Comcast (Xfinity): perdeu 602 mil assinantes de vídeo no semestre (322 mil no 1º tri, 280 mil no 2º)
- Charter (Spectrum): queda mais discreta, de 81 mil assinantes no período
- Optimum (Altice): encerrou o semestre com 110 mil clientes a menos
Somadas, só essas quatro operadoras já respondem por mais de 1,4 milhão de cancelamentos — antes mesmo de entrar na conta quem não divulga números.
O streaming ao vivo também sofre
Mesmo os serviços de TV por assinatura via internet, que prometiam ser a salvação da TV linear, enfrentam turbulência. A Fubo, que incorporou o antigo Hulu + Live TV no fim de 2025, viu sua base cair de 6,2 milhões para 5,7 milhões só no primeiro trimestre.
Uma recuperação tímida de 50 mil assinantes no segundo trimestre não foi capaz de reverter o quadro: a perda líquida do semestre ficou em 450 mil. Para piorar a leitura do mercado, a Disney parou de divulgar números de assinantes pagos e ARPU do Disney+, Hulu e serviços ao vivo relacionados a partir de 2026 — a última cifra conhecida do Hulu + Live TV, de fins de 2025, apontava cerca de 4,4 milhões.
Enquanto isso, o streaming on-demand dispara
Se o cabo minguou, o streaming puro colheu os frutos. O Paramount+ somou 2,7 milhões de novos assinantes no semestre, saindo de 78,9 milhões para 81,6 milhões — impulsionado por produções originais, eventos do UFC e programação esportiva internacional selecionada.
O HBO Max foi ainda mais longe: superou 140 milhões de assinantes globais no primeiro trimestre de 2026 após encerrar 2025 perto de 131,6 milhões, e segue a caminho de ultrapassar 150 milhões até o fim do ano. O avanço veio de lançamentos em novos mercados internacionais, bom desempenho de séries de prestígio que retornaram e adoção crescente do plano com anúncios, que já representa cerca de 40% da base global no meio do ano.
Por que isso importa para o Brasil
O recorte é americano, mas o roteiro é familiar por aqui. Streaming e satélite/TVRO também vivem essa dualidade no Brasil: pacotes lineares perdem força para o consumo sob demanda, enquanto o conteúdo ao vivo — esporte e jornalismo — segue sendo o último reduto que ainda justifica a grade fixa.
A diferença é de escala e de ritmo, não de direção. Se HBO Max e Paramount+ crescem dois dígitos nos EUA enquanto o cabo derrete, é razoável esperar que a mesma lógica continue pressionando operadoras de TV paga por aqui — ainda que o Brasil tenha suas particularidades regulatórias e de infraestrutura.
Você ainda paga por um pacote de TV com canais que nunca assiste, ou já migrou de vez para o streaming?
