Grupo Jaime Câmara é vendido e nasce maior afiliada da Globo

Rede Matogrossense de Comunicação assume TV Anhanguera, jornais e rádios em Goiás e Tocantins após quase uma década de negociações.

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Depois de 90 anos sob comando da família Câmara, o principal conglomerado de mídia do Centro-Norte brasileiro trocou de mãos. O Grupo Jaime Câmara — dono da TV Anhanguera, dos jornais O Popular e Daqui, do Jornal do Tocantins e de uma dezena de emissoras de rádio — anunciou nesta quinta-feira (21) a venda do controle acionário para a Rede Matogrossense de Comunicação (RMC), braço de mídia do Grupo Zahran.

O movimento não é exatamente uma surpresa para quem acompanha os bastidores do setor. As negociações entre os dois grupos surgiram publicamente em fevereiro de 2018 e se arrastaram por meses, com valores estimados entre R$ 250 milhões e R$ 380 milhões à época. A operação chegou a ser dada como fechada em novembro daquele ano, mas o então CEO do GJC, Breno Machado, recuou alegando falta de garantias sobre a continuidade de todos os veículos — especialmente as mídias impressas. Agora, quase oito anos depois, o acordo finalmente saiu do papel.

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O que muda no mapa das afiliadas

A fusão das operações cria um colosso regional sem precedentes na história da TV aberta brasileira. Com a aquisição, o novo grupo passa a controlar emissoras de televisão em toda a região Centro-Oeste e no Tocantins, com uma rede que supera em tamanho até a Rede Amazônica — até então a maior afiliada da Globo em número de emissoras.

O portfólio combinado inclui:

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  • Televisão: TV Anhanguera (Goiás e Tocantins), TV Centro América (Mato Grosso) e TV Morena (Mato Grosso do Sul) — todas afiliadas da Globo há mais de 50 anos
  • Impressos: jornais O Popular, Daqui e Jornal do Tocantins
  • Rádio: CBN Goiânia, Executiva, Moov FM, Rádio Araguaia e outras emissoras nos dois estados

É uma concentração que transforma a RMC em interlocutora obrigatória para qualquer anunciante que queira falar com o Centro-Oeste brasileiro inteiro de uma só vez.

 

Quem é o Grupo Zahran

Fundado em 1955 em Campo Grande (MS) como uma pequena distribuidora de gás, o Grupo Zahran cresceu até se tornar um dos maiores conglomerados empresariais do Centro-Oeste. Seus dois pilares são a Copa Energia — que opera as marcas Copagaz e Liquigás na distribuição de GLP — e a própria RMC. No meio midiático, o grupo é conhecido como “rei do Centro-Oeste” e é considerado mais arrojado do que o Jaime Câmara em estratégia de negócios.

A família Zahran está na terceira geração de comando. Caio Turqueto, presidente do grupo, resumiu a filosofia da compra em tom de manifesto regional: o grupo vê Goiás e Tocantins como extensão natural de uma economia em expansão que merece cobertura à altura.

 

Continuidade garantida — no papel

O comunicado conjunto faz questão de sublinhar a promessa de continuidade operacional e governança sólida. É uma sinalização direta ao mercado e, principalmente, aos colaboradores — que já passaram pelo pânico de 2018, quando rumores de demissões em massa circularam pelas redações.

Jaime Câmara Júnior permanecerá como acionista minoritário, o que funciona como ponte simbólica entre a tradição do grupo fundado em 1937 e a nova gestão. Em seu comunicado de despedida, o empresário agradeceu à sociedade goiana e tocantinense e disse confiar nos novos controladores.

A grande incógnita é como a RMC vai lidar com os jornais impressos. Em 2018, o Grupo Zahran já havia sinalizado pouco interesse nas mídias impressas, alegando não ter expertise na área e chegando a aceitar os jornais “quase de graça”. O Popular, fundado em 1938, carrega peso histórico considerável — mas manter papel rodando num mercado cada vez mais digital é um luxo caro. O destino mais provável é uma migração acelerada para o digital.

Para a Globo, o negócio resolve uma equação que a incomodava há anos: coloca um operador capitalizado e agressivo no comando de uma praça estratégica. Para o Centro-Oeste, consolida um modelo de mídia regional integrada que, para o bem ou para o mal, concentra a informação local em pouquíssimas mãos.

O maior grupo afiliado da Globo no país nasce no coração do Brasil — mas será que tanta concentração é boa para o jornalismo regional? Diga nos comentários.

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