A navegação por setas e botão “OK” que domina a experiência de smart TVs há mais de uma década ganhou data de validade. No Google I/O 2026, o Google revelou que o Google TV passará a suportar “pointer remotes” — controles com sensor de movimento que projetam um cursor na tela, em um funcionamento que lembra o Wiimote do Nintendo Wii e os controles inteligente da LG. A ideia é simples: em vez de navegar item por item com o D-pad, o usuário aponta, desliza e clica diretamente no conteúdo desejado.
Pode parecer um detalhe, mas o impacto na experiência é considerável. Navegar por grandes catálogos de streaming, menus e fileiras de recomendações ficaria mais rápido e fluido, especialmente em apps carregados de thumbnails e sugestões. Para quem já perdeu a paciência rolando interminavelmente pelas prateleiras da Netflix ou do Globoplay com as setinhas, a promessa é tentadora.
Gemini vira “concierge” do streaming
O outro pilar dos anúncios é a evolução do Gemini como assistente de voz na plataforma. O Google quer que a experiência seja mais dinâmica e conversacional — quase como pesquisar na web, só que do sofá. Em vez de devolver resultados estáticos, o Gemini agora responde com uma combinação de imagens, vídeos e trechos de texto.
Na prática, isso significa que um comando como “me sugere um filme de ação ambientado no Japão” pode puxar resultados de múltiplos serviços de streaming instalados no aparelho, com base nos metadados fornecidos pelos próprios apps. Para o consumidor, a experiência se aproxima de conversar com um concierge de streaming em vez de ficar pulando entre aplicativos.
300 milhões de dispositivos e um SDK novo
Os números do ecossistema dão peso ao movimento. O Google TV e o Android TV já somam mais de 300 milhões de dispositivos ativos mensalmente — um salto considerável em relação aos 270 milhões reportados em setembro de 2024. A base inclui TVs de fabricantes como TCL, Sony, Hisense e Philips, além de media players como o Google TV Streamer e dispositivos Xiaomi.
Para aproveitar essa audiência, o Google lançou o Engage SDK (antes chamado de Video Discovery API), um kit de ferramentas que otimiza três frentes para desenvolvedores de apps de streaming:
- Retomada de conteúdo: exibe vídeos pausados na fileira “Continue Assistindo” da tela inicial.
- Gerenciamento de assinaturas: cruza automaticamente o conteúdo do app com o que o usuário já paga, sem exigir atualizações manuais.
- Recomendações personalizadas: sugere títulos com base no histórico de visualização dentro de cada app.
O recado tem prazo: a antiga Watch Next API, que alimenta a experiência atual de “continue assistindo”, perderá suporte no segundo semestre de 2027. Quem não migrar ficará para trás.
O que muda para o telespectador brasileiro
Para o público que consome conteúdo em Google TV no Brasil — e ele cresce a cada leva de TVs TCL e Philips vendidas no varejo —, as mudanças prometem reduzir a fricção que todo mundo conhece: abrir um app, não achar nada, abrir outro, desistir e voltar pro YouTube. Se o Gemini de fato funcionar como um hub centralizado de descoberta, a briga entre plataformas pode se deslocar do catálogo para os metadados — quem indexar melhor, aparece mais.
Já os controles por ponteiro dependem de hardware novo. O Google ainda não detalhou quais fabricantes lançarão controles compatíveis nem um cronograma específico, mas o fato de já pedir que desenvolvedores adaptem seus apps sugere que os primeiros modelos não devem demorar.
E você, usaria um controle remoto estilo Wiimote na sua smart TV, ou prefere o bom e velho D-pad?
