Lucro ou prejuízo? O que os números revelam sobre o futuro do Globoplay

Gigante de mídia mantém robustez financeira, mas vê custos crescerem com aposta em conteúdo original e tecnologia "Direct-to-Consumer".

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O balanço de 2025 da Globo Comunicação e Participações S.A., divulgado nesta quarta-feira (25) no jornal Valor Econômico, é um documento de contrastes. De um lado, um grupo que superou a casa dos R$ 16 bilhões em receita pela primeira vez em uma década, com EBITDA em expansão acelerada e o Globoplay finalmente saindo do vermelho. De outro, canais pagos hemorrágicos, custos crescentes e uma receita de conteúdo e assinaturas que terminou o ano com tropeço.

Boas e más notícias convivem no mesmo balanço — e cada uma delas diz algo importante sobre o futuro da maior empresa de mídia do Brasil.

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Os números: o que o balanço revela

A receita total do grupo deve ter superado R$ 16 bilhões — pela primeira vez desde 2014, com cerca de R$ 10 bilhões provenientes de publicidade na TV aberta.

A Globo encerrou 2025 com EBITDA de R$ 2,5 bilhões, representando um crescimento de 57% e uma margem de 13%.

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O grupo operou em dois ritmos distintos ao longo do ano:

  • 1º trimestre: faturamento de R$ 4,1 bilhões, crescimento de 13% sobre o mesmo período de 2024, impulsionado por Globoplay (+32% em assinantes) e Premiere Play (+52%).
  • 2º trimestre: receita de R$ 4,472 bilhões, alta de 13% sobre o 2T24, puxada por publicidade digital, Eletromidia e produtos digitais.
  • 4º trimestre: baque. A receita com conteúdo, programação e assinaturas caiu de R$ 1,4 bilhão no 4T24 para R$ 1,3 bilhão no 4T25 — queda de 4% e um rombo de R$ 100 milhões em apenas 12 meses.

O marco histórico: Globoplay no lucro após 10 anos no vermelho

Este é, sem dúvida, o destaque positivo do exercício. Ao completar 10 anos de vida em novembro de 2025, o Globoplay alcançou o breakeven e fechou o ano com lucro pela primeira vez.

Os números de audiência também impressionam: a plataforma chegou a cerca de 30 milhões de pessoas ativas por mês, com consumo médio diário de 2h10 por usuário, e cresceu mais de 30% na base de assinantes.

Projeta-se que o Globoplay chegará ao crescimento sustentável em 2026 com base em uma estratégia de três pilares: conteúdo, distribuição e publicidade — especialmente em um ano de Copa do Mundo.

O Premiere Play também surfa a onda: cresceu 32% no número de assinantes no último trimestre de 2025, impulsionado pelos direitos exclusivos do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil.

O ponto fraco: canais pagos e a armadilha do acordo fixo

Se o streaming brilhou em audiência, os Canais Globo trouxeram a conta. A receita consolidada de conteúdo, programação e assinaturas — que inclui os canais por assinatura do grupo — registrou retração tanto no 4º trimestre quanto em perspectiva anual.

Um detalhe estrutural explica parte do problema: apesar do crescimento de usuários e audiência, o Globoplay não apresentou alta significativa na receita de assinaturas porque seu principal acordo, com a Claro, estipula um valor fixo pago pela operadora. Em outras palavras: mais assinantes nem sempre significa mais dinheiro — ao menos no modelo atual.

Custos ainda pressionam: Eletromidia e Telecine pesam no caixa

O crescimento de receita não veio de graça. Os custos foram impactados pela integração da Eletromidia e do Telecine, além de despesas administrativas mais altas, que reduziram o EBITDA do 2º trimestre para R$ 286 milhões. A expansão do portfólio de ativos da Globo — estratégica no longo prazo — está gerando pressão de curto prazo nas margens.

O balanço patrimonial publicado no Valor reforça esse cenário: a Globo opera com dívida relevante e passivos de longo prazo expressivos, reflexo de um ciclo de aquisições e investimentos que ainda aguarda maturação.

Se o Globoplay finalmente lucrou, mas os canais pagos perderam R$ 100 milhões — e o acordo fixo com a Claro limita o crescimento da receita por assinatura —, a Globo está construindo o futuro digital sobre uma fundação sólida ou sobre um modelo que ainda precisa ser repensado?

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