Nos últimos dias, uma notícia movimentou o mercado global de mídia e telecomunicações: a Sky anunciou a compra da emissora britânica ITV por 1,6 bilhão de libras (aproximadamente R$ 11,2 bilhões na conversão direta). A transação bilionária envolve a rede de canais de TV aberta da ITV e sua plataforma de streaming, o ITVX, deixando de fora apenas os braços de produção de conteúdo da ITV Studios, que continuarão operando de forma independente.
O anúncio gerou uma confusão imediata na internet e nas redes sociais entre os consumidores brasileiros: afinal, a operadora de TV por satélite que conhecemos no Brasil está comprando canais de televisão na Europa? O Além da Tela esclarece.
A resposta curta é não. Embora compartilhem o mesmo nome e, mais recentemente, o mesmo logotipo, a Sky no Brasil e a Sky da Inglaterra são empresas totalmente distintas, operadas por grupos diferentes e que vivem realidades de mercado opostas. Entenda abaixo as diferenças cruciais entre elas.
O controle acionário (Quem manda em quem?)
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Sky no Reino Unido (Inglaterra): É uma gigante de mídia e tecnologia que pertence à Comcast, um dos maiores conglomerados de entretenimento do mundo (que também é dono da Universal Pictures, dos estúdios DreamWorks e dos canais NBC). Ela atua não apenas no Reino Unido, mas também na Alemanha, Áustria, Itália e Irlanda.
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Sky no Brasil: A operação brasileira pertence integralmente ao Grupo Werthein, uma holding privada argentina que adquiriu os ativos da antiga operadora da AT&T na América Latina (Vrio Corp.). A Comcast não possui qualquer gerência sobre a operadora que atua no Brasil.
Modelo de negócio e de Serviço
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A potência britânica: Na Inglaterra, a Sky há muito tempo deixou de ser apenas uma “operadora de TV paga”. Ela funciona como uma provedora de internet de ultravelocidade, operadora de telefonia móvel e, principalmente, uma agregadora e produtora de conteúdo. Seus aparelhos modernos (como a TV integrada Sky Glass) funcionam 100% via internet, sem necessidade de antena. A compra da ITV reforça essa veia de criadora e distribuidora de mídia premium na Europa.
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A realidade brasileira: No Brasil, a Sky ainda tem o seu faturamento fortemente atrelado à TV por assinatura via satélite (DTH), atendendo a milhões de lares via antena parabólica, especialmente em regiões do interior do país. Para se modernizar, a empresa foca na expansão da Sky+ (sua plataforma de canais ao vivo via streaming) e em parcerias para vender internet de fibra óptica utilizando redes neutras de terceiros, mas não atua na produção ou compra de redes de TV aberta.
Conexão do passado, separação do presente
A única ligação real entre as duas marcas está na origem. Ambas foram fundadas ou idealizadas sob o império de mídia do magnata Rupert Murdoch e de sua empresa News Corporation entre as décadas de 1980 e 1990. Foi nessa época que o nome e a identidade visual foram unificados globalmente.
Contudo, ao longo dos anos, os caminhos se dividiram por completo através de fusões e aquisições de mercado. Hoje, enquanto a Sky da Inglaterra utiliza o caixa bilionário da Comcast para adquirir redes de televisão históricas como a ITV, a Sky no Brasil trabalha para adaptar seu modelo de negócios de satélite para o mercado digital da América Latina, sob a tutela dos argentinos do Grupo Werthein.
