Conforme você leu aqui ontem, o Brasil tinha 7.065.726 assinaturas de TV por assinatura em junho de 2026 — 1,18 milhão a menos do que um ano antes, uma queda de 14,3%. Mas por trás desse número único existe uma disputa de posicionamento entre as operadoras, e nem todas estão perdendo do mesmo jeito.
Enquanto o mercado como um todo minguava, a Claro conseguiu aumentar sua participação, passando de 53,5% para 54,2% do total nacional. A Vivo fez o mesmo, saltando de 9,2% para 10,2%. Já a Mileto — herdeira da extinta Oi TV — está em colapso acelerado, perdendo quase um terço da base em apenas 12 meses.
O Ranking Atual
- Claro: 3.830.058 acessos — 54,2% do mercado (-13,3% no ano)
- Sky: 1.946.068 acessos — 27,5% do mercado (-15,1% no ano)
- Vivo: 720.324 acessos — 10,2% do mercado (-4,6% no ano)
- Mileto (ex-Oi TV): 279.244 acessos — 4,0% do mercado (-32,3% no ano)
A Vivo chama atenção por um motivo específico: é a única entre as grandes operadoras com queda de um dígito. Enquanto a concorrência sangra dois dígitos percentuais, a Vivo perde apenas 4,6% da base no ano — e ainda cresce 0,1% no Centro-Oeste mês a mês.
A Engenharia por Trás dos Números da Claro
O resultado da Claro esconde uma mudança estrutural de estratégia. Dentro dos 3.830.058 assinantes pagos, a companhia opera três tecnologias com desempenhos completamente diferentes:
- HFC (cabo): 2.598.857 acessos — -16,8% no ano
- DTH (satélite): 1.202.433 acessos — -4,0% no ano
- FTTH (fibra): 28.768 acessos — -24,2% no ano
O cabo, que ainda é a maior fatia da operação, está caindo quase no dobro do ritmo do satélite pago. E é aqui que entra a peça que explica por que a Claro segue ganhando terreno mesmo perdendo assinantes: fora da conta de TV por assinatura tradicional, a companhia opera também a Claro TV Livre, serviço de satélite sem mensalidade recorrente, que soma 1.061.904 acessos e cresceu 2,1% no último ano — um raro sinal positivo em meio à debandada geral.
Esse produto, sozinho, responde por 97,2% de todo o segmento de TV livre via satélite do país, que soma 1.092.041 acessos no total nacional, conforme dados divulgados pela ANATEL. O restante do segmento se divide entre poucos players menores:
- Mileto Serviços de Televisão por Assinatura: 14.839 acessos — 1,4%
- Domus Telecom: 13.565 acessos — 1,2%
- Telecab Telecomunicações: 1.594 acessos — 0,1%
- Demais operadoras (Lewitel, Lsnet, Lp Fibra, Villaggionet, Frasanet, Up Tecnologia, Lp Internet, Link Net, Rayai Fibra): juntas, menos de 140 acessos
Na prática, a Claro está deslocando parte da migração inevitável do cabo para dentro do seu próprio ecossistema, só que sem cobrança mensal — uma resposta direta à fuga para o streaming que não aparece nas estatísticas de “TV por assinatura” propriamente ditas. E o segmento de TV livre via satélite é, hoje, um jogo praticamente solitário.
Os Pequenos Também Sofrem
Nem só os gigantes aparecem nos números da Anatel. A NossaTV, operadora regional 100% baseada em tecnologia DTH, tinha 24.556 assinantes em junho de 2025. Em junho de 2026, esse número caiu para 20.834 — uma retração de 15,2% no ano e de 2% só no último mês.
A base da empresa está fortemente concentrada em São Paulo (7.009 acessos), Rio de Janeiro (3.003) e Rio Grande do Sul (2.333), somando praticamente 60% de toda a operação nessas três praças. Embora a NossaTV mantenha uma fatia marginal do mercado nacional (0,3%), a trajetória de queda segue o mesmo padrão observado nas operadoras médias e pequenas: sem escala para compensar a migração ao streaming com produtos alternativos como o satélite gratuito da Claro, a tendência é de erosão contínua.
O Que os Números da Anatel Não Mostram
Vale um adendo importante: os dados divulgados pela Anatel cobrem exclusivamente o mercado de TV por assinatura tradicional (cabo, satélite pago e fibra) e o de TV livre via satélite. Claro, Sky e Vivo já operam também seus próprios serviços de streaming — porém esses números não fazem parte do levantamento da agência, o que significa que a queda registrada aqui não conta a história completa da migração desses assinantes.
Outro ponto fora do radar oficial: a Sky vem expandindo sua modalidade de TV livre por meio da plataforma Nova Parabólica, concorrente direta da Claro TV Livre no segmento sem mensalidade. Assim como os dados de streaming, essas informações também não constam no levantamento da Anatel — o que sugere que a comparação entre Claro e Sky no segmento gratuito pode estar mais equilibrada do que os números oficiais indicam.
O Que Isso Revela
Os números da Anatel deixam um recado claro para o setor: sobreviver à contração da TV paga no Brasil não depende apenas de segurar assinantes, mas de reposicionar o portfólio tecnológico mais rápido do que a concorrência. Claro e Vivo estão fazendo isso — a seja apostando no modelo de TV Livre ou Streaming. Mileto e operadoras regionais como a NossaTV seguem sem essa margem de manobra.
Na sua região, o sinal de TV por assinatura ainda compensa, ou o streaming já venceu de vez?
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