A disputa por um dos ativos mais tradicionais de Hollywood ganhou um novo capítulo. A Netflix anunciou oficialmente que não vai elevar sua proposta pela Warner Bros. Discovery, depois de ser informada de que o conselho da empresa considerou a nova oferta da Paramount Skydance superior dentro dos termos do acordo vigente.
Em comunicado assinado pelos co-CEOs Ted Sarandos e Greg Peters, a Netflix afirmou que o negócio só fazia sentido dentro de um determinado patamar financeiro. Segundo a empresa, igualar a proposta mais recente tornaria a transação “financeiramente pouco atrativa”. A plataforma reforçou que a aquisição sempre foi vista como estratégica, mas não essencial “a qualquer preço”.
A movimentação acontece em meio a um período de forte consolidação na indústria de mídia e entretenimento. Nos últimos anos, estúdios tradicionais vêm buscando escala para enfrentar a pressão do streaming e da fragmentação de audiência. A Warner Bros., dona de marcas como DC, HBO e do vasto catálogo cinematográfico da Warner, é considerada um dos ativos mais relevantes do mercado global.
Apesar de ter ficado fora da disputa final, a Netflix sinalizou que mantém posição confortável. A empresa destacou que investirá cerca de US$ 20 bilhões em filmes e séries neste ano, reforçando a estratégia de crescimento orgânico baseada em produção própria e expansão de catálogo. A companhia também informou que retomará seu programa de recompra de ações, movimento voltado a geração de valor aos acionistas.
Na nota, a Netflix ainda agradeceu ao CEO da WBD, David Zaslav, e ao conselho pela condução do processo. Internamente, a mensagem foi clara: a plataforma segue apostando em disciplina financeira, mesmo diante de uma oportunidade de ampliar seu portfólio com marcas históricas.
O episódio reforça um cenário em que gigantes do entretenimento disputam ativos estratégicos, mas com maior cautela do que na corrida de aquisições vista nos anos pós-pandemia. Para a Netflix, a prioridade parece continuar sendo fortalecer sua base global de assinantes, ampliar o investimento em conteúdo original e manter margem saudável, sem entrar em um “leilão” que comprometa sua estratégia de longo prazo.
Se confirmado o avanço da proposta da Paramount Skydance, o mercado pode assistir a uma nova reorganização do mapa do entretenimento mundial, com impactos diretos na produção, distribuição e na dinâmica entre estúdios e plataformas de streaming.
