O sábado, 19 de setembro, serve dois filmes que não poderiam ser mais distantes em cenário, tom e propósito — um raft no Oceano Pacífico em 1942 e os bastidores da Semana de Moda de Paris em dias contemporâneos. A partir das 22h, HBO e Telecine Premium encerram a semana com duas estreias já disponíveis no streaming.
HBO: Tubarão de Guerra
O diretor australiano Kiah Roache-Turner — que já nos deu Wyrmwood e Sting: Aranha Assassina — volta com sua terceira criatura em três anos. Desta vez, é um tubarão-branco no meio da Segunda Guerra Mundial.
Tubarão de Guerra (Beast of War, 2025) parte de um episódio real: o naufrágio do HMAS Armidale, afundado por caças japoneses no Mar de Timor em 1942. No filme, um grupo de recrutas australianos recém-saídos do treinamento básico se vê preso em um bote salva-vidas em alto-mar após o naufrágio de seu navio — e o tubarão-branco que circula ao redor não tem interesse na guerra. A produção estrelada por Mark Coles Smith, um dos atores indígenas mais promissores do cinema australiano, adiciona uma camada extra ao drama: Leo, o protagonista, enfrenta o racismo dos próprios companheiros enquanto o tubarão se aproxima — e é exatamente ele quem assume a liderança quando tudo desmorona.
O diferencial técnico que a produção caprichou: o tubarão combina computação gráfica com um animatrônico construído especialmente para o filme — apelidado de “Shazza” pela equipe durante as gravações. Roache-Turner declarou que foi o projeto mais difícil de sua carreira, envolvendo um tanque d’água de 40 metros construído do zero em South Australia.
A recepção foi amplamente positiva na crítica especializada. O Guardian deu 4 de 5 estrelas, descrevendo o filme como “estonteantemente bem ritmado — existe na borda da consciência, não exatamente realidade, não inteiramente pesadelo, e certamente não uma aula de história.” A ScreenAnarchy elogiou a mistura de thriller de sobrevivência, drama histórico e comentário social. No IMDb, a nota é 5,4 — reflexo de um público que esperava mais ação de tubarão e menos drama humano. Para quem aceita o jogo, é exatamente o contrário do que o subgênero costuma oferecer.
Telecine Premium: Vidas Entrelaçadas
Do outro lado da grade, Angelina Jolie encerra o mês com o segundo grande papel dramático de seu retorno às telas — depois de Maria (2024), o biopic da cantora lírica Maria Callas que lhe rendeu reconhecimento da crítica. Em Vidas Entrelaçadas (Couture), ela interpreta Maxine, uma renomada diretora de cinema que descobre ter câncer de mama durante a efervescente Fashion Week de Paris — uma escolha de roteiro que ecoa a própria história pessoal da atriz, que passou por uma mastectomia preventiva em 2013 e tornou o processo público.
O filme acompanha três mulheres cujos destinos se cruzam durante a Semana de Moda: Maxine (Jolie), a cineasta em crise; uma jovem modelo que enfrenta as contradições do mundo da beleza; e uma maquiadora que carrega seus próprios segredos. Os bastidores dos desfiles funcionam como microcosmo de vaidade, poder e fragilidade — o tipo de ambiente que o cinema raramente retrata sem glamourizar em excesso.
A recepção foi dividida. O filme acumula 58% no Rotten Tomatoes e nota 6,2 no IMDb. O consenso geral é que a atuação de Jolie carrega o filme mais do que o roteiro em si — o Metacritic resumiu o sentimento predominante ao apontar que a atriz entrega uma performance intensa que dá continuidade ao retorno iniciado em Maria, mas que o material ao redor dela deixa a desejar. Para quem foi ao cinema por ela, a performance compensa as limitações do roteiro.
Tubarão na Segunda Guerra ou câncer nos bastidores da alta costura? O sábado termina setembro com dois filmes que pedem públicos muito específicos — e entregam para cada um deles.
E você, vai de tubarão histórico na HBO ou de drama de moda com Angelina Jolie no Telecine?
