O sábado, 18 de julho, não é noite para quem quer desligar o cérebro no sofá. A grade reúne dois filmes que pedem atenção, paciência e disposição para entrar no ritmo proposto — e recompensam quem aceita o jogo. A partir das 22h, Telecine Premium e HBO entregam programações pesadas e distintas, os dois já disponíveis no streaming.
Telecine Premium: Barba Ensopada de Sangue
Adaptação do romance homônimo de Daniel Galera, Barba Ensopada de Sangue chega ao Telecine Premium com credenciais sólidas: é o quarto longa a receber o selo de Original Globoplay, estreou na seleção oficial do 52.º Festival de Gramado em 2024 e é assinado por Aly Muritiba — o mesmo diretor de Deserto Particular.
A trama acompanha Gabriel (Gabriel Leone), que parte para a praia da Armação, em Santa Catarina, após a morte do pai, em busca de suas origens. O que encontra é uma trama densa: a figura enigmática do avô, um esqueleto de baleia encalhado na praia e uma cidade que prefere enterrar seu passado a qualquer custo. Thainá Duarte completa o elenco principal.
A recepção crítica nacional foi dividida. Parte dos analistas valorizou a ambição do projeto e a fotografia do litoral catarinense. Outra parte apontou que o roteiro tropeça ao tentar equilibrar o suspense de gênero com a introspecção do livro de Galera — que é, por natureza, um texto difícil de transpor sem perdas. O IMDb registra nota 5,5. É um filme que exige paciência. E que recompensa quem estiver disposto a entrar no ritmo que propõe.
HBO: Undertone
Do lado da HBO, o terror chega com credencial de festival e assinatura da A24. Undertone (2025) é uma produção canadense de micro-orçamento que eleva o design sonoro à categoria de arma narrativa. O longa acompanha Evy (Nina Kiri), apresentadora de um podcast paranormal que se muda para a casa da mãe em fase terminal. Quando ela e seu co-apresentador começam a receber gravações anônimas de um casal que enfrenta ruídos inexplicáveis em casa, Evy mergulha em uma paranoia crescente da qual parece impossível escapar.
A escolha formal mais ousada do filme: Evy e sua mãe são os únicos personagens visíveis na tela. Todos os outros existem apenas como vozes — gravações, ligações, trilhas de áudio que o espectador ouve junto com a protagonista e nunca vê confirmadas. É uma aposta radical e deliberada no espaço negativo como instrumento de terror.
A crítica especializada comprou o argumento. No Rotten Tomatoes, 74% das 187 críticas são positivas, com nota média de 6,9/10 — o consenso elogia o uso do design de áudio para construir tensão. No Metacritic, a nota é 64. No IMDb, o público registra 6,2, e o CinemaScore marcou um raro “C” para um filme com crítica tão favorável. A explicação está no formato: Undertone é um filme lento e deliberado, feito para quem aceita o jogo proposto. Quem estiver disposto a mergulhar vai encontrar uma experiência que se vive tanto quanto se assiste.
Dois filmes que exigem entrega total do espectador. Nenhum dos dois vai te deixar indiferente — por razões completamente diferentes.
E você, fica com o mistério catarinense de Aly Muritiba no Telecine ou enfrenta o terror sonoro da A24 na HBO?
