A crise do modelo tradicional de televisão atingiu em cheio a maior emissora pública do planeta. Segundo informações exclusivas reveladas pelo portal norte-americano Deadline, a britânica BBC prepara o anúncio do fechamento de diversos canais de TV e redes de rádio para a próxima semana.
O movimento drástico faz parte de um plano de reestruturação para economizar 500 milhões de libras (cerca de R$ 3,6 bilhões) nos próximos anos. A ordem da nova gestão é migrar recursos da transmissão linear e direcionar todos os esforços para o fortalecimento do BBC iPlayer, sua plataforma de streaming.
BBC Three: Um erro que pode se repetir

Entre os canais cotados para ter o sinal desligado na TV aberta e paga, o nome do BBC Three é o que causa maior ruído na indústria. Voltado para o público jovem e responsável por lançar sucessos mundiais como Fleabag e Normal People, o canal corre o risco de ser retirado da televisão pela segunda vez em dez anos.
A rede já havia sido transformada em um serviço exclusivamente digital em 2016, mas retornou à grade de TV linear em 2022. O atual diretor-geral da corporação, Matt Brittin, considera que manter o canal na TV tradicional perdeu o sentido diante da rápida migração da Geração Z para o consumo sob demanda.
Além do BBC Three, fontes do mercado apontam que a BBC Scotland e divisões da rede de rádio também estão na esteira de cortes, que pode resultar na demissão de até 2.000 funcionários.
A conta não fecha

O arrocho financeiro da gigante britânica escancara um problema estrutural no financiamento da mídia pública. Embora 94% da população do Reino Unido consuma conteúdos da BBC todos os meses, menos de 80% pagam a taxa anual obrigatória de 180 libras cobrada por residência.
Com a evasão do pagamento tradicional e a inflação nos custos de produção audiovisual, a empresa viu-se forçada a acelerar a aposentadoria da TV por assinatura e do sinal aberto para tentar fechar suas contas.
O reflexo no mercado global
O anúncio da BBC serve como um termômetro para todo o mercado global de comunicação. O encerramento de canais lineares consolidados para transferir o orçamento de produção ao streaming reforça que a sustentabilidade das emissoras de TV passa, inevitavelmente, pelo fim do transbordo de sinal tradicional.
A decisão da emissora britânica promete acender alertas em outras redes públicas pelo mundo, mostrando que a sobrevida dos canais abertos depende cada vez mais do encaixe perfeito em ecossistemas digitais e aplicativos móveis.
