Enquanto a Justiça americana ainda segura o fechamento da fusão entre Paramount Skydance e Warner Bros. Discovery, a Europa acabou de dar sinal verde. A Comissão Europeia aprovou o negócio de US$ 111 bilhões nesta quarta-feira, tirando do caminho um dos últimos grandes obstáculos regulatórios fora dos Estados Unidos.
A aprovação não veio de graça. Como condição, a Paramount já concordou em encerrar, em até 13 meses, sua parceria de distribuição de filmes com a Universal na Europa — a joint venture conhecida como United International Pictures (UIP), que existe há décadas.
O que Bruxelas encontrou (e o que não encontrou)
A Comissão Europeia investigou os efeitos da fusão no mercado de TV e produção audiovisual e concluiu que o negócio não deve prejudicar a concorrência nesses setores — a avaliação foi de que sobram competidores globais e locais suficientes para manter o jogo equilibrado.
O problema apareceu em outro lugar: a distribuição de filmes. Reguladores identificaram que o mercado ficaria concentrado demais por causa da UIP, parceria de longa data da Paramount com a Universal. A saída negociada:
- Paramount sai da UIP dentro de 13 meses
- A empresa se compromete a não formar arranjo parecido por pelo menos dez anos
- A determinação vale tanto para acordos com a Universal quanto com a Disney
Em nota, a Comissão afirmou que os compromissos assumidos resolvem por completo as preocupações concorrenciais identificadas, já que os filmes da empresa resultante da fusão não serão distribuídos em conjunto com os da Universal nem da Disney.
Dois continentes, dois ritmos
O contraste com os Estados Unidos é gritante. Por lá, uma juíza federal de Oakland suspendeu temporariamente o fechamento da fusão na última segunda-feira, atendendo a um pedido de 12 estados — incluindo Califórnia e Nova York — que argumentam que o negócio concentraria demais o mercado de canais básicos a cabo e de distribuição de filmes nos EUA.
Ou seja: a mesma fusão que a Europa considerou segura para a TV e o cinema é vista, do outro lado do Atlântico, como risco concreto de menos concorrência e preços mais altos.
Quem ainda falta decidir
A lista de aprovações internacionais já é longa. Paramount afirma ter recebido sinal verde de cerca de 20 países, incluindo Austrália e China, além do aval do Departamento de Justiça americano. O Reino Unido, porém, ainda avalia se vai intervir no negócio — decisão que pode se somar à pressão que a empresa já enfrenta nos tribunais dos EUA, onde o Writers Guild of America também move ação própria contra a fusão, alegando risco a salários e oportunidades criativas de roteiristas.
A voz da Paramount
O diretor jurídico da Paramount, Makan Delrahim, comemorou a aprovação europeia como mais um passo importante rumo à união entre Paramount e Warner Bros. Discovery, destacando a análise cuidadosa feita pela Comissão. Segundo ele, a combinação não representa risco à concorrência — pelo contrário: criaria uma empresa de mídia com escala suficiente para desafiar de verdade as plataformas de tecnologia que hoje dominam o setor, favorecendo mais investimento em conteúdo e mais opções para o consumidor.
Resta saber se esse otimismo sobrevive à audiência marcada para 3 de agosto na Califórnia — o verdadeiro ponto de virada para saber se a fusão sai do papel dentro do prazo que a própria Paramount se impôs.
Bruxelas topou, mas os EUA travaram. Você acha que a fusão Paramount-Warner ainda sai antes do fim do ano?
