Peter Parker estreou nesta quarta-feira (29) e já é o dono absoluto das salas brasileiras. A boa notícia? A programação de quinta (30) nem tenta competir — e faz bem. São oito títulos que apostam no cinema de festival, no relançamento de clássico e na produção nacional. Quem quer fugir das teias tem opções de sobra.
A Professora de Piano: Haneke de volta às telonas
A Professora de Piano (La Pianiste, Áustria/França, 2001) volta aos cinemas em cópia restaurada. O filme que deu a Isabelle Huppert o prêmio de Melhor Atriz em Cannes (e a Michael Haneke o Grand Prix) continua tão desconfortável quanto era há 25 anos.
Erika Kohut (Huppert) é uma professora de piano no Conservatório de Viena que vive com a mãe aos 40 anos e esconde uma vida secreta de voyeurismo e automutilação. Quando um aluno mais jovem (Benoît Magimel, que também levou prêmio em Cannes pelo papel) inicia um jogo de sedução, o filme se transforma em uma das dissecações mais brutais de desejo e poder já filmadas.
Para quem nunca viu: é Haneke. Não espere conforto. Para quem já viu: tela grande e som de sala dão outra dimensão à partitura de Schubert que atravessa o filme. Distribuição: Filmicca. Classificação: 18 anos.
As Cores do Tempo: Klapisch entre Monet e ayahuasca
As Cores do Tempo (La Venue de l’avenir, França/Bélgica) é o 15º longa de Cédric Klapisch (O Albergue Espanhol, Ce qui nous lie), exibido fora de competição em Cannes 2025 e agora chegando ao Brasil.
Quatro primos que nem se conheciam herdam uma casa abandonada na Normandia e descobrem a existência de Adèle, uma ancestral misteriosa que abandonou a propriedade em 1895 para se mudar a Paris. O filme alterna duas linhas temporais — 2024 e o final do século XIX — e conecta genealogia, Impressionismo e identidade em um drama leve e poético. No IMDb, a nota é 7.2. O novato Abraham Wapler impressiona no papel de Seb, trazendo uma melancolia inesperada que dá peso dramático ao envolvimento crescente do personagem com a história familiar.
Klapisch está no seu melhor na narrativa contemporânea, capturando os ritmos e as manias da vida francesa com precisão e ironia ágil. Suzanne Lindon (A Primeira Vez de uma Jovem, filha de Sandrine Kiberlain e Vincent Lindon), Paul Kircher, Cécile de France e Vincent Macaigne completam o elenco. Distribuição: Imovision. Classificação: 14 anos.
Cinco filmes brasileiros de uma vez
A semana é generosa para o cinema nacional, com cinco títulos simultâneos — três documentários e dois de ficção.
Margeado — Drama de Diego Zon sobre os sobreviventes do rompimento de uma barragem. Enquanto Yara resolve ficar na vila mesmo com o rio virado em lama, Dingue (Danilo Andrade) parte em busca de outro caminho. Antônio Pitanga e Verônica Gomes completam o elenco. Uma reflexão sobre pertencimento e resistência que ecoa Mariana e Brumadinho sem nomeá-las. Distribuição: De Repente o Rio. Classificação: 14 anos.
Aquele Que Viu o Abismo — Ficção científica experimental codirigida por Gregório Gananian e Negro Leo (sim, o músico). X está imerso em uma trama de assassinatos e usa suas visões para sobreviver a um sistema opressor. Coprodução Brasil-China. Com Negro Leo, Ava Rocha e Clara Choveaux. Distribuição: Embaúba Filmes.
Não Sei Viver Sem Palavras — Documentário de André Brandão sobre o escritor Ignácio de Loyola Brandão, contado pelo olhar do próprio filho do autor. Uma intimidade rara com o homem por trás de Não Verás País Nenhum e Zero. Distribuição: Bretz Filmes. Classificação: 12 anos.
A Fabulosa Máquina do Tempo — Documentário de Eliza Capai. Distribuição: Descoloniza Filmes. Classificação: 12 anos.
Lista de Desejos para Superagüi — Documentário de Pedro Giongo sobre a ilha de Superagüi, no litoral do Paraná. Distribuição: Olhar Distribuição. Classificação: 12 anos.
Cinema português
As Aves (As Aves, Portugal) — Drama de Pedro Magano com Gustavo Sumpta e Mafalda Rocha. Distribuição: Filmes do Estação.
E o Aranha?
Homem-Aranha: Um Novo Dia estreou na quarta-feira (29) e domina as salas com mais de 547 sessões. O score do Rotten Tomatoes ainda está em 0 reviews — o embargo completo de críticas só cai junto com a estreia americana em 31 de julho. O trailer do filme quebrou todos os recordes da história: foram 718,6 milhões de visualizações nas primeiras 24 horas, tornando-se o trailer mais visto de todos os tempos, superando Deadpool & Wolverine e até GTA VI. Atualizaremos a nota assim que o RT publicar o score oficial.
