TV Aberta usa ‘defesa de território’ e promessa da TV 3.0 para conter a sangria do streaming

Entre a aposta no jornalismo ao vivo e a promessa da TV 3.0, redes de televisão tentam provar valor ao mercado publicitário.

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Em meio à fuga constante de público e de verbas publicitárias para o ambiente digital, as emissoras de televisão aberta no Brasil têm intensificado discursos e reportagens institucionais para reafirmar sua relevância histórica. Exemplo dessa movimentação é uma matéria recente veiculada pelo canal Record News e disponível em seu canal do YouTube, onde o veículo exalta a gratuidade, a cobertura de jornalismo ao vivo e a chegada da TV 3.0 como os pilares que ainda sustentariam a “caixa mágica” como a tela principal dos lares brasileiros.

A ofensiva comunicacional da TV aberta apoia-se em argumentos sólidos de alcance, apontando a presença em quase 100% dos lares como o grande diferencial competitivo frente aos serviços pagos. Ao destacar o apelo de conteúdos como telejornais locais e transmissões esportivas, formatos nos quais o imediatismo ainda joga a favor da transmissão linear, os veículos tradicionais vendem a ideia de que a escala de massa instantânea (brand awareness) é um trunfo que as plataformas de streaming e redes sociais não conseguem replicar na mesma velocidade.

Mas, por trás da exaltação do modelo gratuito, fica clara a pressão que o setor sofre com a migração do público mais jovem para telas móveis e vídeos sob demanda. Para tentar frear esse esvaziamento, as redes apelam para a promessa da TV 3.0, vendendo a migração do sinal para aplicativos interativos como a salvação do ecossistema. A promessa de permitir compras na tela, anúncios segmentados e pausas no ao vivo soa como uma tentativa tardia de equiparar o aparelho de sala de estar às funcionalidades que os consumidores já experimentam há anos no ambiente digital.

A difusão dessas reportagens em plataformas como o YouTube revela a própria contradição do momento: para defender a relevância do sinal aberto, as redes dependem cada vez mais de distribuição nos mesmos canais digitais com os quais disputam atenção e faturamento. Enquanto o mercado aguarda a padronização e o ganho de escala da TV 3.0, a televisão aberta joga suas últimas fichas na credibilidade e no hábito do telespectador para tentar provar aos anunciantes que ainda é indispensável no Brasil. Será que ainda é?

Confira a matéria:

 

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