A transição da televisão aberta brasileira para a sua próxima geração tecnológica deu mais um passo. A diretoria da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) conquistou R$ 23 milhões em recursos junto ao Grupo de Implantação do Processo de Redistribuição e Digitalização de Canais de TV e RTV (GIRED/Anatel).
O montante será destinado integralmente à construção e estruturação da infraestrutura de tecnologia e dados necessária para operacionalizar a TV 3.0 no Brasil.
A iniciativa coloca a empresa pública no centro da articulação da “Plataforma Comum”, um ecossistema projetado para unir em uma mesma interface a transmissão aberta tradicional, a conectividade à internet, o vídeo sob demanda (VOD) e o acesso a serviços digitais interativos.
Data centers, acervo e streaming

Segundo a diretoria de tecnologia da EBC, o investimento será direcionado para a compra e montagem de data centers, servidores de alto desempenho, sistemas de balanceamento de carga e arquitetura de nuvem capazes de suportar dezenas de milhares de acessos simultâneos com escalabilidade.
Além disso, o projeto traz avanços diretos para a gestão de conteúdo da empresa:
Novo Sistema MAM: Implementação de um moderno sistema de Media Asset Management (Gerenciamento de Ativos de Mídia) em Brasília, otimizando o armazenamento, a organização, a catalogação e a distribuição digital do acervo da EBC.
Integração com o Tela Brasil: A infraestrutura permitirá conectar a TV 3.0 ao Tela Brasil, o serviço público e gratuito de streaming focado no audiovisual nacional.
“Essa conquista orçamentária representa mais um passo concreto para a consolidação da TV 3.0 no Brasil e reforça o papel estratégico da EBC na construção da Plataforma Comum. A infraestrutura permitirá ampliar a presença da comunicação pública nesse novo ambiente, reunindo conteúdos, serviços e aplicações”, destaca Antonia Pellegrino, diretora-presidente da EBC.
Prazo de operação e o conceito da TV 3.0
A meta é que toda a infraestrutura da Plataforma Comum esteja em pleno funcionamento até julho de 2027.
A TV 3.0 é o novo padrão da televisão digital brasileira, desenvolvido para unir a transmissão por sinal aberto (terrestre) com a banda larga de alta velocidade. Com a tecnologia, os canais deixam de ser identificados só por números e passam a funcionar por meio de apps e interfaces interativas, oferecendo qualidade de imagem até 4K/8K, áudio imersivo, anúncios segmentados e integração direta com o consumo sob demanda.
Análise
O investimento na infraestrutura pública da TV 3.0 reforça uma das maiores dinâmicas do mercado: a reagregação de conteúdos em portas de entrada simplificadas.
Assim como as grandes plataformas privadas vêm criando ecossistemas híbridos (unindo TV linear, esportes e sob demanda), a televisão aberta brasileira busca se remodelar para garantir que o espectador tenha acesso a uma experiência digital moderna, interativa e fluida.
