Sem bancada e sem ‘boa noite’: TV americana testa jornalismo 100% automatizado

Afiliada da ABC, a WMAR-2 demite apresentadores e produtores em transição para modelo de streaming contínuo impulsionado por automação e foco em inteligência artificial

Publicidade

​Os telespectadores da WMAR-2, emissora de televisão mais antiga do estado de Maryland (EUA) e afiliada da rede ABC, foram surpreendidos por uma mudança na programação do horário nobre. Sem bancada, sem apresentadores ao vivo e sem a tradicional “conversa fiada” entre âncoras, a emissora colocou no ar um novo formato automatizado que a sua proprietária, a E.W. Scripps, planeja expandir para dezenas de mercados em todo o país.

​A reformulação foi acompanhada por uma onda de demissões de âncoras, produtores e diretores de estúdio. O novo telejornal passou a ser composto por blocos de reportagens pré-gravadas, previsões de tempo pontuais e notícias nacionais fornecidas pela central do grupo, com vinhetas gráficas cobrindo as transições e instantes de silêncio antes dos intervalos comerciais.

WhatsApp

Corte de custos, inteligência artificial e crise de audiência

​A migração para um modelo de streaming 24 horas por dia impulsionado por automação e inteligência artificial visa alinhar a operação aos novos hábitos de consumo digital e conter a queda nas margens de lucro da TV aberta tradicional.

Demissões em massa: O sindicato IBEW Local 1200, que representa os trabalhadores de mídia da emissora, confirmou ter sido notificado sobre o desligamento de diversos funcionários para “adequar a equipe à evolução do consumo de público”.

Publicidade

Apresentadores veteranos fora do ar: Rosto familiar dos telejornais noturnos desde 2003, a âncora Kelly Swoope não apareceu nas transmissões das 19h e 23h, marcando o fim de uma era no canal, que existe desde 1947.

Estratégia corporativa: A E.W. Scripps está testando o modelo sem âncoras em cerca de 12 mercados menores antes de implementá-lo em escala nacional em suas dezenas de emissoras locais.

“Quando você analisa o fato de que as margens de lucro na televisão estão caindo substancialmente porque a audiência está diminuindo, percebe que eles não conseguirão manter um telejornal de alta qualidade em todos os mercados”, avalia Kelly McBride, vice-presidente sênior do Poynter Institute.

Apenas o início

​A direção da WMAR-2 e os porta-vozes da Scripps defenderam a mudança, afirmando que a oferta de conteúdo em fluxo contínuo permite que o público acesse o jornalismo em qualquer horário do dia, e não só nas janelas engessadas da grade de programação.

​Apesar das garantias de que o foco em jornalismo investigativo local permanece, o corte da figura do apresentador ao vivo, até então o elo de confiança e proximidade entre a emissora e a comunidade, representa um marco histórico no desmonte do formato clássico de telejornalismo. Será que a moda pega?

Leia também

0 Comentários
Publicidade

Leiatambém

Publicidade

Leiamais