Harry Potter, Game of Thrones, Batman, Top Gun, Yellowstone e Bob Esponja vão morar sob o mesmo teto a partir da próxima terça-feira (6). E o teto já tem nome: Skydance. O anúncio saiu nesta sexta-feira (2), em uma publicação no X de David Ellison, presidente do conselho e CEO da companhia, a primeira do perfil recém-criado do executivo.
As apostas informais do mercado, como “ParaBros” e “WarnerMount“, ficaram só na piada. Ellison preferiu o caminho conhecido e recorreu ao nome da produtora que fundou em 2006, que se chamava originalmente Skydance Productions, passou a Skydance Media em 2020 e virou Paramount Skydance Corporation após a fusão com a Paramount Global e a National Amusements no ano passado.
Um guarda-chuva, não um apagador
A escolha tem lógica estratégica. Segundo Ellison, a ideia nunca foi criar uma identidade corporativa que diminuísse ou ofuscasse Paramount e Warner Bros. Em vez disso, o nome Skydance funcionaria como uma marca-mãe, deixando os estúdios e suas franquias no centro do palco.
“Paramount e Warner Bros. moldaram mais de um século de cultura. Ao combiná-las, não estamos reescrevendo a história — estamos equipando esses estúdios icônicos com um motor mais poderoso“, escreveu o executivo. Ele define a nova empresa como uma casa que coloca a criação em primeiro lugar, com histórias ousadas e de qualidade.
Na prática, o modelo lembra o da Disney: o público continua vendo os logos da Warner, da HBO, da DC e da Paramount nas telas, enquanto a holding fica nos bastidores, cuidando do balanço.
O que entra no pacote
O portfólio da nova Skydance reúne praticamente metade do que se consome em entretenimento premium no Ocidente:
- Estúdios: Warner Bros., Paramount Pictures, DC Studios e Skydance Productions
- Streaming: HBO Max e Paramount+
- TV: CBS, CNN, TBS, MTV, Comedy Central, Nickelodeon e Food Network, entre outros
- Franquias: Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Game of Thrones, Universo DC, Yellowstone, Missão: Impossível e Top Gun
Calendário e números da operação
O negócio, avaliado em US$ 111 bilhões, superou seu último obstáculo nesta semana. Paramount e os procuradores-gerais de 12 estados americanos chegaram a um acordo em 21 de setembro, e o juiz responsável pelo processo antitruste homologou o entendimento em 30 de setembro. Entre as condições está o compromisso de distribuir 30 filmes por ano nos cinemas.
Os próximos passos já têm data:
- 5 de outubro: Ynon Kreiz, ex-CEO da Mattel, assume como co-CEO ao lado de Ellison
- 6 de outubro: conclusão da fusão e estreia das ações na Bolsa de Nova York, com o ticker trocando de “PSKY” para “SKYD”
- Em seguida: alteração formal da razão social para Skydance Corporation
O gigantismo vem com uma conta igualmente gigante. A dívida projetada da Skydance passa de US$ 80 bilhões, somando passivos herdados de Paramount e WBD a novas captações. Só em títulos, a Paramount emite cerca de US$ 42,4 bilhões, além de US$ 8,5 bilhões e € 850 milhões em empréstimos.
O controle fica com David Ellison, o pai dele, Larry Ellison (fundador da Oracle), e Gerry Cardinale, da RedBird Capital. Larry garantiu pessoalmente US$ 46,7 bilhões em capital. Fundos soberanos da Arábia Saudita, do Catar e dos Emirados Árabes aportaram cerca de US$ 24 bilhões e ficarão com 38,5% da empresa combinada.
E no Brasil, o que muda?
Nada muda no dia 6 para o assinante brasileiro. HBO Max e Paramount+ seguem como aplicativos separados, com preços e catálogos atuais. O plano de longo prazo, porém, está desenhado: a empresa pretende integrar as duas plataformas em um único serviço global de streaming, presente em mais de 100 países.
A transição já tem comandante. Ellison escolheu Casey Bloys, CEO da HBO, para dirigir Paramount+ e HBO Max, e a chefe de streaming da Paramount, Cindy Holland, deixou o cargo na terça-feira. Bloys, por sua vez, afirmou que o HBO Max poderá ser oferecido em pacote com o Paramount+, usando como modelo a combinação já feita com o Disney+.
Na TV por assinatura, o peso da fusão no Brasil recai sobre o lado Warner. Canais como TNT, Warner Channel, Discovery, Cartoon Network e o próprio HBO linear passam a responder à Skydance. Do lado Paramount, os canais lineares já deixaram a TV paga brasileira, mas o Pluto TV, serviço FAST da empresa, entra no mesmo guarda-chuva. Já a CNN Brasil opera no país sob licenciamento da marca, com controle de um grupo brasileiro, e não muda de dono com a operação.
Na visão do mercado, a pergunta que realmente interessa ao consumidor é outra: quanto vai custar o “superstreaming” quando ele chegar. Com uma dívida desse tamanho, a pressão por receita por assinante tende a ser forte.
O comunicado
Abaixo, a declaração completa publicada por David Ellison em suas redes sociais explicando a visão estratégica para a nova fase da empresa:
“O que um dia foi o topo, agora é apenas o começo.
Paramount e Warner Bros. moldaram mais de um século de cultura. Ao combiná-las, não estamos reescrevendo a história — estamos equipando esses estúdios icônicos com um motor ainda mais potente. Juntos, somos a Skydance: um lar onde a criatividade vem em primeiro lugar para contar histórias ousadas e de qualidade.
Escolhemos esse nome por alguns motivos importantes. Em primeiro lugar, ao reunir Paramount e Warner Bros., queríamos preservar o que tornou cada um desses estúdios icônico. Ambos possuem identidades distintas, legados extraordinários e marcas que ecoam com o público há gerações. Nunca quisemos que uma nova identidade corporativa diminuísse, alterasse ou ofuscasse qualquer uma delas. Em vez disso, queríamos um nome que desse à empresa combinada uma identidade própria, permitindo que a Paramount e a Warner Bros. — e todas as nossas marcas extraordinárias — permanecessem sob os refletores.
Temos grandes metas para a Skydance e pretendemos buscá-las com paixão, imaginação e disposição para assumir riscos inteligentes. Ao mesmo tempo, honraremos o que torna a Paramount e a Warner Bros. especiais — dando a ambos os estúdios a oportunidade de crescer, contar mais histórias incríveis e levá-las a públicos ainda maiores em todo o mundo, impulsionados pela escala e capacidade da Skydance.
Eu não poderia estar mais empolgado com o que vamos construir juntos.”
What once was the peak, is now just the beginning.
Paramount and Warner Bros. shaped over a century of culture. By combining them, we aren’t rewriting history — we’re equipping these iconic studios with a more powerful engine. Together, we are Skydance: a creative-first home for… pic.twitter.com/uInLRY3IrE
— David Ellison (@ellisonskydance) October 2, 2026
E você: assinaria um app único com HBO e Paramount+ juntos, ou prefere manter os dois separados e alternar conforme a série do momento? Conte nos comentários!
