Disney+ remove 4K no Brasil e Premium fica limitado a 1080p

O plano mais caro do serviço agora entrega a mesma resolução do Padrão e continua custando R$ 20 a mais por mês.

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Quem paga o plano mais caro do Disney+ para assistir a Andor ou aos filmes da Marvel na TV 4K da sala passou a receber menos imagem pelo mesmo dinheiro. A plataforma não oferece mais nenhum plano com resolução 4K no Brasil. O teto agora é 1080p para todos os assinantes, e a mudança aconteceu sem e-mail, sem notificação no app e sem redução de preço.

A alteração está na tabela comparativa da página oficial de assinaturas. No item de qualidade de imagem, o plano Premium agora diz o seguinte: “Vídeo até 1080p HD e som Dolby Atmos“. Até pouco tempo atrás, a mesma tabela apresentava vídeo em até 4K UHD/HDR e som Dolby Atmos como diferenciais do Premium.

Reprodução do site oficial

O que a tabela mostra hoje

Com a mudança, os três planos ficaram assim:

  • Premium: R$ 69,90/mês (ou R$ 48,99/mês no plano anual), ESPN completa, 4 telas simultâneas, sem anúncios, downloads, vídeo até 1080p e Dolby Atmos
  • Padrão: R$ 49,90/mês (ou R$ 33,99/mês no anual), 2 telas, sem anúncios, downloads e vídeo em Full HD
  • Padrão com Anúncios: R$ 29,90/mês, 2 telas, com intervalos comerciais e sem downloads

A diferença de resolução é grande. O 4K UHD tem 3840 x 2160 pixels, enquanto o 1080p tem 1920 x 1080 pixels, ou seja, um quarto dos pixels. A TV 4K até faz upscaling do sinal Full HD, mas o processamento só estima os detalhes que faltam. Ele não recupera a informação que a fonte deixou de enviar.

Além do 4K, assinantes relatam que a plataforma também deixou de oferecer HDR10 e Dolby Vision, recursos que fazem diferença em cenas escuras e com muito contraste. Já o Atmos continua listado na tabela.

O Premium virou “Padrão + ESPN”

Na prática, o argumento para pagar R$ 20 a mais por mês pelo Premium ficou mais simples. Ele dá acesso aos canais e eventos da ESPN, libera quatro telas em vez de duas e mantém o áudio Dolby Atmos. Quem não acompanha esportes e assina apenas para ver filmes e séries recebe, agora, uma imagem equivalente à do plano Padrão.

O momento também chama atenção. Enquanto reduz o que o Premium entrega, o Disney+ faz uma promoção agressiva para novos clientes. O Premium sai por R$ 19,90/mês durante dois meses para quem assinar entre 21 de outubro e 2 de novembro. Depois desse período, a assinatura é renovada automaticamente pelo preço cheio.

Briga de patentes pode estar por trás

O Disney+ não explicou publicamente a mudança no Brasil. No mercado, porém, a principal hipótese é a disputa judicial com a InterDigital, empresa que licencia tecnologias de compressão de vídeo.

O precedente vem da Europa. Em julho, o serviço tirou o 4K e o HDR de alguns países europeus, e nesse caso a empresa deu uma justificativa: a Disney disse que a medida era temporária e motivada por uma decisão judicial, mas não deu prazo para a volta dos recursos nem falou em compensação.

O Brasil também é palco dessa disputa. Em 2025, a 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro concedeu uma liminar à InterDigital, depois que uma perícia encomendada pelo tribunal concluiu que a Disney violava patentes ligadas aos padrões de compressão AVC e HEVC. A decisão mandava a empresa parar de codificar ou distribuir no Brasil vídeos nesses formatos que usassem a ferramenta de predição ponderada. O HEVC é o padrão mais usado para transmitir 4K e HDR. Ainda assim, a Disney não confirmou nenhuma ligação entre o processo e a retirada do 4K no país.

A mudança também não vale para toda a América Latina. Na página do Disney+ na Argentina, o Premium continua sendo anunciado com vídeo em até 4K UHD/HDR.

O que o assinante pode fazer

Quem assinou o Premium por causa do 4K pode registrar uma reclamação no atendimento do Disney+ e pedir abatimento ou reembolso proporcional. Vale anotar o número do protocolo e guardar capturas de tela da tabela atual. O Código de Defesa do Consumidor (art. 20) prevê abatimento proporcional do preço quando o serviço entregue não corresponde ao que foi ofertado. Se o atendimento não resolver, os próximos caminhos são o Consumidor.gov.br e o Procon do seu estado.

Também é possível trocar de plano. Quem não usa a ESPN nem precisa de quatro telas paga R$ 20 a menos por mês no Padrão e recebe a mesma resolução.

Você assina o Disney+ Premium? Percebeu a queda na qualidade de imagem ou vai continuar no plano só por causa da ESPN? Conte nos comentários.

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