Review TCL C7K 75 polegadas: vale a pena comprar em 2026?

Com 3.000 nits, áudio afinado pela Bang & Olufsen e preço bem abaixo da Samsung, a Mini LED da TCL convence no uso doméstico.

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Comprar uma TV de 75 polegadas deixou de ser luxo de home theater e virou decisão de sala comum. O problema é que, nesse tamanho, cada defeito de imagem aparece em escala ampliada, e cada real investido pesa mais. A pergunta que move este review é simples: a TCL C7K entrega, no sofá de casa, o que promete na ficha técnica? Para responder, o Além da Tela usou a TV no dia a dia, de telejornal a show ao vivo, de série escura a TV aberta pela parabólica. Testamos durante 20 dias um modelo emprestado pela TCL.

Vale uma nota explicativa: as fotos que vocês verão foram tiradas em ambiente escuro e com um celular. Por conta disto, a foto não é capaz de reproduzir fielmente a qualidade observada presencialmente.

De onde veio a C7K

A C7K chegou em 2025 como a peça central da ofensiva da TCL no segmento intermediário-premium. A linha foi apresentada à imprensa europeia em um evento em Paris, ao lado das séries C6K e C8K, com disponibilidade prevista para abril ou maio daquele ano. A proposta era clara: TVs 4K QD-Mini LED de 144Hz, com controle avançado de retroiluminação, brilho elevado e áudio imersivo, a preços que desafiam as categorias premium tradicionais. Nos Estados Unidos, o mesmo aparelho ganhou outro nome: QM7K.

No Brasil, a C7K foi lançada em 17 de junho de 2025, nas versões de 65, 75 e 115 polegadas. A de 75″ chegou com preço sugerido de R$ 9.299 e, como de costume no mercado de TVs, o valor de etiqueta durou pouco: o modelo já registrou menor preço histórico de R$ 5.099,98, queda de 45% em relação ao lançamento. Agora, com a sucessora C7L já nas lojas, a C7K vive aquela fase que costuma interessar ao consumidor atento: virou o “modelo do ano passado” que ainda entrega muito do que a linha nova promete.

A ficha técnica, traduzida

Ficha técnica de TV costuma ser uma sopa de siglas feita para impressionar, não para informar. A C7K não foge à regra, mas, por trás do marketing, há números que fazem diferença real na sala de casa. O resumo da versão de 75 polegadas:

  • Tela: 4K QD-Mini LED, com controle de iluminação em até 1.248 zonas e pico de 3.000 nits em HDR
  • Painel e processamento: CrystGlow HVA, processador de imagem AiPQ Pro, 144Hz com VRR e cobertura de 97% do espaço de cor DCI-P3
  • HDR: Dolby Vision, HDR10+, HDR10 e HLG
  • Áudio: sistema 2.1 com subwoofer integrado, assinado pela Bang & Olufsen, com Dolby Atmos
  • Sistema e hardware: Google TV com AirPlay 2, HomeKit e Alexa; chip MediaTek MT5896, 2,5 GB de RAM e cerca de 48 GB de armazenamento
  • Conexões: 4 HDMI (duas a 4K/144Hz, uma delas com eARC, e duas a 4K/60Hz), USB 3.0, USB 2.0, Ethernet, saída óptica e antena; Wi-Fi em 2,4 GHz e 5 GHz e Bluetooth 5.4
  • Alimentação: bivolt automático (127 V a 220 V)

Mini LED: milhares de lâmpadas trabalhando em equipe

Toda TV LCD precisa de uma luz atrás da tela. Nas TVs comuns, essa luz é feita de poucos LEDs grandes. No Mini LED, são milhares de LEDs minúsculos, agrupados em zonas que acendem e apagam de forma independente. Quanto mais zonas, mais o preto fica preto de verdade, sem “lavar” a imagem.

O inimigo histórico dessa tecnologia é o blooming, ou efeito halo: aquele brilho fantasma em volta de legendas brancas ou de uma lua contra o céu escuro. A TCL ataca o problema com um sistema de controle de halo que atua em todo o caminho da luz, combinando chips de alta eficiência, microlentes próprias e algoritmos de controle.

O painel ajuda. Segundo a TCL, a tela HVA alcança até 7.000:1 de contraste nativo, contra 1.200:1 de um painel IPS convencional. Na prática, isso significa que, mesmo antes de as zonas de escurecimento entrarem em ação, o próprio painel já bloqueia melhor a luz.

Cena do seriado Silo

3.000 nits: o que isso significa na prática

Nit é a unidade de medida de brilho. Uma TV de entrada costuma girar na casa das centenas de nits. Os 3.000 nits de pico da C7K não servem para deixar a tela inteira ofuscante, e sim para destacar pontos específicos: o reflexo do sol na água, uma explosão, faróis numa estrada à noite.

Esse brilho extra também ajuda em salas claras, com janelas ou luz lateral. A tela conta ainda com um filme antirreflexo e com um sensor que, segundo a fabricante, detecta o brilho e a temperatura de cor do ambiente para ajustar a imagem automaticamente.

Cena de novela da TV aberta

144Hz com VRR: fluidez para quem joga

A taxa de atualização indica quantas vezes por segundo a imagem é redesenhada na tela. O VRR (Variable Refresh Rate) permite que a TV acompanhe a variação de quadros que um console ou PC entrega, em vez de impor um ritmo fixo. O resultado é menos travamento e menos “rasgos” na imagem.

Para quem joga, a C7K traz ainda o AMD FreeSync Premium Pro e o modo Game Master, que ativa automaticamente os recursos de baixa latência quando detecta um console. Há até um modo de 288Hz, limitado à resolução Full HD, para jogos competitivos no PC. Para quem só assiste a filmes e séries, esse pacote pesa pouco na decisão de compra.

Por dentro: chip, memória e armazenamento

Fabricantes de TV costumam ser discretos sobre o hardware que move o sistema. A TCL não informa esses dados na página oficial nem no manual, mas o próprio aparelho revela o que tem sob o capô: um chip da MediaTek, identificado pelo sistema como MT5896, acompanhado de 2,5 GB de memória RAM.

O destaque fica com o armazenamento. A unidade avaliada mostra cerca de 48,5 GB de espaço interno, dos quais mais de 45 GB livres após a configuração. É um número bem acima do que costuma aparecer em TVs com Google TV, nas quais é comum o usuário esbarrar no aviso de memória cheia depois de instalar meia dúzia de aplicativos e jogos.

A RAM é mais modesta, com pouco mais de 1 GB livre com o sistema em repouso. No papel, é o número que mais desperta desconfiança. No uso, como mostramos adiante, não comprometeu a fluidez.

Dolby Vision, HDR10+, HDR10 e HLG: a sopa de letrinhas do HDR

HDR (High Dynamic Range) é o que permite à TV exibir, na mesma cena, sombras profundas e luzes intensas sem perder detalhes nos extremos. O problema é que existem vários “dialetos” de HDR, e cada plataforma fala o seu. A boa notícia: a C7K entende todos os relevantes.

  • Dolby Vision: o formato mais difundido no streaming. Ajusta brilho e cor cena a cena, conforme as instruções gravadas pelo estúdio. É o padrão de boa parte do catálogo 4K da Netflix, do Disney+, da HBO Max e da Apple TV+.
  • HDR10+: o rival de padrão aberto, impulsionado pela Samsung. Também trabalha cena a cena e aparece com frequência no Prime Video. Aqui está um trunfo da TCL: TVs da Samsung não suportam Dolby Vision, e as da LG não suportam HDR10+. A C7K não obriga o espectador a escolher lado.
  • HDR10: o formato básico, presente em praticamente todo conteúdo HDR. Usa uma configuração única para o filme inteiro.
  • HLG: pensado para transmissões ao vivo, como esportes e grandes eventos, por funcionar tanto em TVs com HDR quanto sem.

Para o assinante brasileiro, vale um lembrete: na Netflix, imagem 4K com Dolby Vision e som em Dolby Atmos exigem o plano Premium. Sem ele, a TV pode ser de primeira, mas o sinal que chega é de segunda.

Divulgação TCL – Os padrões podem variar dependendo do país.

Dolby Atmos: a promessa do som em 3D

Nos sistemas tradicionais, o som é dividido em canais fixos: esquerda, direita, centro. O Dolby Atmos trabalha com “objetos” sonoros, posicionados num espaço tridimensional. Num sistema completo, um helicóptero não sai apenas da caixa da esquerda; ele passa por cima da sua cabeça.

Para criar essa sensação de altura de verdade, é preciso ter alto-falantes voltados para o teto ou caixas instaladas acima do sofá. A C7K não tem nenhum dos dois. O sistema é 2.1: dois canais principais e um subwoofer integrado, com alto-falantes traseiros apontados para a parede atrás da TV. O Atmos, aqui, é virtualizado: o processador manipula o som para simular amplitude e altura, sem uma fonte física que venha de cima.

O manual brasileiro também lista licenças da DTS, incluindo o DTS Virtual:X, tecnologia criada justamente para simular som tridimensional em sistemas sem alto-falantes de altura. O menu de som traz ainda o ajuste DTS DRC, que controla a variação de volume entre diálogos e cenas de ação.

Isso não torna o recurso inútil. A TV decodifica as trilhas em Atmos dos streamings e entrega um som mais aberto do que o de um aparelho comum. Para quem quer a experiência completa, o suporte ao formato funciona como porta de entrada: a TV repassa o sinal via eARC para uma soundbar ou um home theater.

Afinal, quem é a Bang & Olufsen?

Para quem acompanha áudio de alta fidelidade, o nome dispensa apresentação. Para o resto do público, a dinamarquesa B&O é algo como a “grife” do som doméstico: uma marca que vende tanto desempenho quanto objeto de desejo.

A história começa em 1925, quando os engenheiros Peter Bang e Svend Olufsen passaram a fabricar rádios no sótão da casa da família Olufsen, em Quistrup, na Dinamarca. Nos primeiros tempos, a mãe de Olufsen vendia ovos para ajudar a bancar o negócio. O primeiro grande diferencial técnico foi um rádio projetado para funcionar ligado na tomada, novidade relevante numa época em que a maioria dos aparelhos dependia de baterias.

O que transformou a B&O em referência, porém, foi a combinação de engenharia acústica com design. A marca chegou ao museu: em 1978, o MoMA, de Nova York, dedicou uma exposição ao portfólio da empresa, e produtos dela fazem parte da coleção permanente de design do museu. Hoje, caixas acústicas e TVs da marca circulam na faixa das dezenas de milhares de reais, o que explica por que muita gente nunca viu um produto B&O de perto.

O que significa “Audio by Bang & Olufsen”

Aqui cabe uma distinção importante. A C7K não traz alto-falantes fabricados pela B&O, nem compete com uma caixa da própria marca. Segundo a TCL, o selo significa que os alto-falantes da TV foram trabalhados pelos mesmos engenheiros que projetam, afinam e refinam os produtos da B&O. De acordo com a própria B&O, o trabalho foi feito produto a produto, desmontando as TVs para reduzir vibrações e melhorar o desempenho sonoro.

A parceria também rende um recurso de software, o Beosonic: uma interface circular em que o usuário ajusta o “clima” do som arrastando o dedo, com a opção de salvar os modos favoritos.

Na visão do mercado, trata-se de uma parceria de afinação e de prestígio de marca, e de um movimento inteligente da TCL, que levou o áudio assinado pela B&O a uma faixa de preço onde concorrentes raramente investem tanto em som. A expectativa deve ser calibrada: é uma afinação de qualidade sobre um sistema 2.1, não um home theater embutido.

Tela de divulgação da TCL mostrando o recurso Beosonic

Onde a ficha pede atenção

Nem tudo na ficha é motivo de comemoração. Três pontos merecem o olhar de quem pretende comprar:

  • Só duas portas rápidas: apenas as entradas HDMI 1 e 2 suportam 4K a 144Hz; as portas 3 e 4 ficam limitadas a 4K a 60Hz. Como o eARC está na HDMI 1, um console de última geração e uma soundbar convivem bem. O aperto aparece para quem tem dois consoles atuais.
  • Wi-Fi 5: suficiente para streaming em 4K na maioria das casas, mas um passo atrás do Wi-Fi 6 já presente em modelos concorrentes.

Design: discreto por escolha

Uma TV de 75 polegadas nunca passa despercebida na sala, e a C7K não tenta disfarçar isso. O que ela faz é não chamar mais atenção do que o necessário: bordas finas, acabamento escuro e nenhum floreio estético que brigue com a decoração. Quando a tela está desligada, o protagonismo é do tamanho, não do design.

A espessura merece uma ressalva honesta. A TCL vende a linha como “ultrafina”, mas, com 6 cm de profundidade (registrado no manual, mas na prática a tela é mais fina!), a versão de 75″ não compete com a finura de uma OLED. O mérito está em outro lugar: para uma TV com milhares de LEDs atrás do painel, o corpo é enxuto.

A traseira, que quase ninguém vê, revela mais do que a frente. Dois módulos circulares de acabamento metálico ocupam a parte superior e abrigam os alto-falantes voltados para trás. É ali que mora o grave do sistema, e é por isso que a distância entre a TV e a parede interfere no som: encostada demais, a TV pode soar abafada; com alguns centímetros de folga, o som ganha corpo. As conexões ficam concentradas na lateral, o que facilita trocar cabos sem mover o aparelho.

Peso e medidas

  • Painel: 166,6 x 95,7 x 6 cm
  • Com pedestal: 99,5 cm ou 102,5 cm de altura, conforme a posição de encaixe, e 37 cm de profundidade
  • Peso com pedestal: 26 kg
  • Montagem na parede: padrão VESA 300 x 300, com parafusos M6 (não inclusos) e suporte vendido à parte

A base é um pedestal central, e não um par de pés nas extremidades. Isso traz uma vantagem prática que muita gente só descobre na hora da instalação: a TV não exige um rack da largura da tela. Basta uma superfície que acomode a placa da base. Painéis de 75″ com pés nas pontas costumam forçar a troca do móvel; aqui, o rack antigo tem boas chances de servir.

Para quem pretende usar soundbar, o pedestal guarda outra boa surpresa: ele pode ser encaixado em duas alturas. Na posição mais alta, a parte de baixo da tela fica a cerca de 7 cm do móvel; na mais baixa, a cerca de 4 cm. Soundbars mais altas do que isso vão cobrir o rodapé da imagem, justamente onde aparecem as legendas. Vale medir antes de escolher a posição e, de preferência, antes de comprar a soundbar.

Instalação: menos drama do que o tamanho sugere

A primeira impressão diante da caixa de uma TV de 75 polegadas é de que vai dar trabalho. Na prática, a montagem da C7K se mostrou simples e direta. O pedestal chega em duas partes, suporte e base, unidas por oito parafusos pequenos; o conjunto se prende à traseira da TV com outros quatro, e uma cobertura plástica encaixa por cima para esconder a fixação. Tudo vem na caixa, inclusive três presilhas para organizar os cabos, que também podem passar por dentro do pedestal.

O único cuidado inegociável é de bom senso. O manual orienta deitar a TV com a tela para baixo sobre uma superfície plana e macia, como um cobertor, antes de fixar o pedestal. E, com 26 kg e quase 1,70 m de largura, erguer o aparelho é tarefa para duas pessoas, sempre segurando pelas laterais e nunca pela tela.

Primeira configuração: o Google faz o trabalho pesado

Ligada a TV, a configuração inicial segue o roteiro padrão do Google TV. O jeito mais rápido é usar o celular: pelo aplicativo Google Home, o aparelho transfere a conta Google e a senha do Wi-Fi para a TV, poupando o usuário de digitar tudo com o controle remoto. Em poucos minutos, os aplicativos de streaming estão instalados e prontos para o login.

A TCL acerta ao não reinventar a roda. Quem já usa Android, Chromecast ou outra TV com Google TV se sente em casa desde a primeira tela.

75 polegadas cabem na sua sala?

A pergunta parece óbvia, mas evita arrependimentos. A própria TCL sugere uma distância de 1,5 a 2 vezes a diagonal da tela, o que, para 75 polegadas (190,5 cm), daria algo entre 2,9 m e 3,8 m. Outros guias, pensados para conteúdo 4K, admitem distâncias menores: o Zoom, por exemplo, aponta cerca de 2,29 m como ideal para este modelo.

Na visão de quem acompanha o mercado, as recomendações mais conservadoras vêm de uma época em que a resolução das TVs era menor. Com imagem 4K bem processada, sentar mais perto deixa de revelar pixels e passa a aumentar a imersão. O limite real é o conforto: se for preciso virar a cabeça para acompanhar uma legenda, a tela está grande demais para aquele sofá.

Imagem: o medo da tela grande não se confirmou

Quem troca uma TV de 50 ou 55 polegadas por uma de 75 carrega um receio legítimo: o de que a tela maior amplie também os defeitos. Imagem lavada, granulação, pretos acinzentados. Na C7K, esse medo não se confirmou. A qualidade de imagem surpreendeu positivamente justamente onde costuma decepcionar, no tamanho.

O teste mais exigente veio com uma Apple TV 4K ligada a uma das entradas HDMI, exibindo a nova temporada de Silo. A série é um desafio para qualquer painel: boa parte da ação se passa em corredores subterrâneos mal iluminados, alternados com cenas externas claras. A C7K deu conta dos dois extremos. Nas cenas escuras, os detalhes não se perderam nas sombras; nas claras, a imagem não estourou. Imagem e áudio, ali, estavam impecáveis.

A TV aberta também se saiu bem. A Globo, recebida pela parabólica, chegou com excelente qualidade, sem os artefatos que costumam aparecer quando um sinal de menor resolução é ampliado para uma tela desse tamanho. Mérito do processamento, que faz o trabalho de “esticar” a imagem sem deixar a costura aparente.

Som: dá conta do dia a dia, e um pouco mais

Depois de uma ficha técnica que pedia cautela, com um sistema 2.1 e Atmos apenas virtualizado, o som foi uma das boas surpresas da avaliação. Para o uso cotidiano, novelas, telejornais, séries e futebol, o áudio da TV não deixa a desejar. Os diálogos saem claros, e o subwoofer traseiro dá corpo ao som sem embolar os graves.

A prova de fogo foram os shows do Rock in Rio 2026. Mesmo sem transmissão em Dolby pela Globo, o áudio chegou cheio e equilibrado, com espaço para a voz e para os instrumentos. É o tipo de conteúdo que costuma denunciar alto-falantes fracos de TV, e a C7K passou no teste.

Não há milagre, porém. Para experiências realmente imersivas, com som envolvendo a sala, uma soundbar ou um home theater continuam necessários. A diferença é que, aqui, eles viram um upgrade opcional, e não uma compra obrigatória logo na saída da loja.

Pouco ajuste, muita entrega

Um dos pontos mais relevantes para o usuário doméstico raramente aparece nos reviews: quanto trabalho a TV dá até ficar boa. Na C7K, a resposta é pouco. Após a configuração inicial, foram necessários pouquíssimos ajustes de imagem e som para chegar a um resultado satisfatório. Os modos de fábrica já entregam um ponto de partida equilibrado.

Para quem quer mexer, os menus ajudam. Ao navegar pelas opções de imagem, a TV exibe, em várias delas, um painel lateral que mostra na prática o que aquele ajuste altera. Parece detalhe, mas resolve um problema antigo: o de mudar configurações com nomes técnicos sem saber exatamente o que se está fazendo.

Sistema: Google TV 14 logo de cara

Assim que foi ligada e conectada à internet, a TV atualizou o sistema para o Google TV baseado no Android TV 14. A navegação é rápida e fácil, sem engasgos na troca entre aplicativos e menus, apesar dos 2,5 GB de RAM que, no papel, pareciam modestos. E todo o sistema vem em português do Brasil.

Além do pacote padrão do Google TV, a C7K traz recursos que ampliam o uso:

  • Ecossistema Apple: suporte a AirPlay 2 e HomeKit, para espelhar a tela do iPhone ou controlar a TV pelo celular.
  • Voz com privacidade: além do Google Assistente e da compatibilidade com Alexa, há um interruptor físico ao lado do botão liga/desliga para desativar o microfone da TV.

TCL Channel: simples, mas com uma perda

O TCL Channel, serviço gratuito de canais lineares da fabricante, é simples de usar e tem catálogo completo para quem gosta de deixar a TV ligada em programação contínua. Há, porém, um retrocesso em relação às versões anteriores.

Em 2024, o aplicativo permitia ajustar a resolução dos canais; era possível, por exemplo, assistir à Bloomberg em 4K, na época o único canal do serviço com essa opção. Na versão atual, essa configuração não aparece mais. Para a maioria dos usuários, a mudança passa despercebida. Para quem usava o recurso, fica a sensação de um passo atrás.

Da P755 à C7K: o tamanho do salto

Em 2024, o Além da Tela testou a P755, um modelo de entrada da TCL. A comparação com a C7K mostra uma evolução enorme em imagem, som e funcionalidades, o que, em parte, é esperado: são categorias diferentes de produto. Mas um detalhe revela que a mudança também é de cuidado com o mercado nacional.

A P755 avaliada na época trazia o sistema em português de Portugal, com termos e construções que soavam estranhos ao usuário brasileiro. A C7K vem em português do Brasil. Parece pouco, mas é o tipo de acabamento que separa um produto apenas vendido no país de um produto pensado para ele.

C7K ou C7L: vale comprar o modelo do ano passado?

A pergunta é inevitável. A C7L, lançada em 2026, sucede a C7K e estreia no Brasil a tecnologia SQD-Mini LED, uma nova geração de painel. Os preços pesquisados pelo Além da Tela em outubro de 2026 mostram um cenário menos óbvio do que se poderia imaginar:

Na versão de 65 polegadas, a conta é simples: com menos de R$ 100 de diferença, não faz sentido optar pelo modelo anterior. Na de 75, a decisão depende do bolso. O site Game Over Drive, que comparou os dois modelos, considera que, até uma diferença de cerca de R$ 800, a C7L é a compra mais completa. Acima disso, como ocorre hoje na versão de 75″, a C7K defende bem o seu lugar.

E diante das marcas tradicionais?

A comparação com a concorrência reforça o argumento. A Samsung Neo QLED QN85F, de 2025, é a Mini LED da marca no mesmo patamar tecnológico da C7K, com painel de 120Hz nativos e até 144Hz. Na mesma pesquisa, a versão de 75 polegadas saía por R$ 11.909,00. Clique aqui para comprar este modelo na Amazon.

Isso coloca a C7K de 75″ cerca de R$ 4.350 abaixo da rival sul-coreana, uma economia de aproximadamente 36%. Mesmo a C7L, mais nova, custa R$ 3.210 a menos. E a diferença não se resume ao preço: a QN85F não é compatível com Dolby Vision, o formato de HDR mais usado pelos grandes streamings, enquanto a C7K suporta esse formato e o HDR10+ ao mesmo tempo.

Na visão do mercado, é aqui que a TCL constrói sua reputação no Brasil: entregar especificações de faixa premium pelo preço que as marcas tradicionais cobram por modelos intermediários. Quem paga a diferença pela Samsung leva o prestígio da marca, o sistema Tizen e uma rede de assistência mais capilarizada; na ficha técnica, porém, a diferença de preço não se traduz em vantagem clara de imagem. A LG ficou de fora da comparação: a linha QNED Mini LED equivalente aparece como descontinuada no site oficial da marca no Brasil.

Vale lembrar que preços de TV mudam semana a semana. A recomendação é acompanhar os modelos por alguns dias antes de fechar a compra e refazer a conta com os valores do momento.

Prós e contras

Prós

  • Imagem convincente mesmo em 75 polegadas, com bom controle em cenas claras e escuras
  • Suporte a Dolby Vision e HDR10+ ao mesmo tempo
  • Som afinado pela Bang & Olufsen que dispensa soundbar no dia a dia
  • Instalação simples, com pedestal central e duas alturas de encaixe
  • Configuração de fábrica equilibrada e menus que explicam cada ajuste
  • Armazenamento interno generoso e sistema fluido em português do Brasil

Contras

  • Apenas duas entradas HDMI com 4K a 144Hz
  • Dolby Atmos virtualizado, sem alto-falantes de altura
  • TCL Channel perdeu o ajuste de resolução dos canais

Veredito: a melhor coisa abaixo de uma OLED?

Na avaliação do Além da Tela, a C7K ocupa, na prática, o degrau imediatamente abaixo das TVs OLED. Não se trata de uma hierarquia absoluta: OLED oferece pretos perfeitos e resposta mais rápida, enquanto o Mini LED entrega brilho elevado e menor preocupação com imagens estáticas. Para uma sala iluminada, com a TV ligada muitas horas por dia em telejornais com logotipos fixos, a C7K pode até ser a escolha mais sensata.

O que ela entrega é o pacote completo: imagem que convence numa tela de 75 polegadas, som que dispensa a soundbar no dia a dia, instalação simples, sistema fluido e uma configuração de fábrica que exige pouca intervenção. Os pontos de atenção existem, mas nenhum deles compromete a experiência de quem quer, simplesmente, sentar no sofá e assistir.

Para quem encontrar a versão de 75 polegadas com uma diferença confortável em relação à C7L, a C7K continua sendo uma das compras mais interessantes do mercado brasileiro.

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