Na Fórmula 1, metade do espetáculo entra pelo ouvido. O rádio tenso entre piloto e engenheiro, a troca de marcha na freada, o motor ecoando nas arquibancadas: tudo isso agora ganha uma camada extra de imersão para o público americano.
A Apple anunciou nesta quinta-feira (8) que vai transmitir a F1 em Dolby Atmos no Apple TV. A estreia acontece no GP dos Estados Unidos, em Austin, com atividades a partir da sexta-feira, 23 de outubro. Pela primeira vez, assinantes do serviço nos EUA terão todos os fins de semana de corrida em Dolby Vision e Dolby Atmos ao mesmo tempo.
O que muda a partir de Austin
O Dolby Vision já fazia parte do pacote. Desde a abertura da temporada, na Austrália, a Apple transmite todas as corridas em 4K com Dolby Vision. O áudio, porém, ficou um passo atrás: no lançamento, a empresa informou que a cobertura de cada Grande Prêmio seria em som surround 5.1, com narração em inglês e espanhol.
A diferença entre os dois formatos de som é prática:
- 5.1: distribui o áudio em canais fixos ao redor do espectador, no plano horizontal.
- Dolby Atmos: trata os sons como “objetos” posicionados no espaço, inclusive acima da cabeça, em sistemas com caixas ou soundbars compatíveis.
Na imagem, o Dolby Vision trabalha com HDR dinâmico, que ajusta brilho, contraste e cor cena a cena. Em uma corrida que alterna sol forte, túneis e provas noturnas, o ganho é perceptível.
Por que o som pesa tanto na F1
Os executivos das duas empresas apostam justamente na identidade sonora do esporte. John Couling, vice-presidente sênior de Entretenimento da Dolby, afirmou que cada circuito, equipe e fim de semana tem uma identidade visual e sonora própria. Segundo ele, a chegada do Atmos estabelece um novo padrão para a experiência dos fãs.
Oliver Schusser, vice-presidente da Apple Music e de Conteúdo Internacional da Apple, seguiu a mesma linha. Para o executivo, o som é parte central do que torna a F1 empolgante, e o novo formato permite sentir a intensidade de cada GP de um jeito diferente.
O que é preciso para ouvir
O recurso não depende apenas da assinatura. Para aproveitar imagem e som completos, o fã precisa de:
- Assinatura do Apple TV nos Estados Unidos;
- Aplicativo Apple TV em um dispositivo Apple compatível;
- TV, soundbar ou sistema de som com suporte a Dolby Vision e Dolby Atmos.
Quem assiste pelo alto-falante do celular ou de uma TV básica não vai notar grande diferença. Esse detalhe costuma ficar escondido nos anúncios.
O primeiro ano da Apple no grid
O anúncio chega no fim da temporada de estreia da Apple como dona dos direitos da F1 nos EUA. A empresa garantiu a exclusividade americana a partir de 2026, em contrato de cinco anos que encerrou a era da ESPN. Segundo a Associated Press, o acordo tem média de US$ 150 milhões por ano.
Austin, aliás, já estava no radar como vitrine. A corrida faz parte do grupo de cinco GPs exibidos ao vivo em pelo menos 50 salas IMAX nos Estados Unidos, ao lado de Miami, Mônaco, Silverstone e Monza.
Na visão do mercado, a Apple usa a F1 como laboratório de qualidade técnica para se diferenciar de rivais que comprimem mais o sinal. É um argumento que conversa diretamente com quem investe em home theater, público que a empresa conhece bem.
E no Brasil?
Aqui, o anúncio não muda nada. A F1 não passa pela Apple no país: a Globo detém os direitos de 2026 a 2028, em modelo multiplataforma que inclui a TV Globo, o SporTV e os canais digitais da emissora.
O desenho da transmissão brasileira é este:
- TV Globo: 15 GPs ao vivo por temporada, com as outras nove provas em horário alternativo;
- SporTV: todas as corridas, além de treinos, classificação e sprint;
- Outras janelas: SporTV 3 e SporTV 4K na TV por assinatura, Globoplay no streaming e F1 TV.
Até o momento, não há anúncio de transmissão da F1 em Dolby Atmos para o público brasileiro. O fã que montou um home theater completo continua, por ora, ouvindo o ronco dos motores em som convencional.
E você: pagaria mais por uma transmissão de F1 com imagem e som de cinema, ou a narração da TV aberta já resolve? Conta pra gente nos comentários!
