Disney reestrutura TV, prevê demissões e foca no streaming

ABC, 20th Television, Hulu Originals, Nat Geo e outras unidades devem virar uma só operação, guiada por métricas de assinantes.

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As marcas que organizaram a televisão americana por décadas estão perdendo o posto de comando. A partir de agora, quem decide o que sai do papel na Disney é o assinante de streaming: quanto tempo ele assiste, se ele fica e se ele cancela.

O plano foi revelado pelo Wall Street Journal em 1º de outubro. Ele prevê a fusão de divisões que funcionavam de forma independente e deve resultar em centenas de demissões. O projeto ainda está em desenvolvimento, e os detalhes finais podem sair só no fim do ano.

Seis marcas, uma só mesa

A reestruturação é comandada por Debra O’Connell, chairman da Disney Entertainment Television. Ela responde a Dana Walden, presidente e diretora criativa da Disney. Entram no pacote de consolidação as seguintes unidades:

  • ABC Entertainment
  • 20th Television
  • Hulu Originals
  • Freeform
  • Disney Kids & Family
  • National Geographic Content

Cada uma dessas unidades mantinha executivos e esteiras de desenvolvimento próprios. Hoje, a produção delas vai principalmente para o Disney+ e o Hulu, e os canais lineares ficam com o restante.

Com a fusão, a empresa quer eliminar cargos duplicados, criar um processo único de aprovação e marketing de séries e vincular os orçamentos a indicadores de streaming. Na prática, o horário nobre e a identidade de cada canal deixam de ser o critério principal.

Uma conta que o streaming ainda não fechou

O motivo é financeiro. O cord-cutting reduziu a audiência e as taxas de afiliação que as operadoras pagam pelos canais. Essa era a receita de alta margem que sustentava redes como a Freeform e boa parte do portfólio herdado da compra da 21st Century Fox, em 2019.

O streaming cresceu e já entrega resultados operacionais melhores. Na avaliação do mercado, porém, esse lucro ainda não compensa o que se perdeu na TV tradicional. A pressão atinge todo o setor, e a Disney segue a mesma lógica de corte de custos das concorrentes.

Em evento da Bloomberg, Walden resumiu o objetivo como centralizar a operação como um único negócio de televisão. Ela também classificou as demissões como extremamente dolorosas.

A tesoura de D’Amaro

Josh D’Amaro, ex-chefe dos parques, assumiu como CEO em março e desde então tenta fazer a empresa operar como um único negócio digital. A reestruturação da TV é só o capítulo mais recente:

  • Cortes já feitos: marketing, Pixar, ABC News e ESPN.
  • Fim de setembro: cerca de 300 vagas eliminadas, sobretudo em recursos humanos e tecnologia.
  • Próximos alvos: a área jurídica e de assuntos globais, que deve encolher com mais automação, e a ABC News, que fica sob o guarda-chuva de O’Connell.
  • Aposentadoria voluntária: oferta para executivos acima de 50 anos com pelo menos dez anos de casa. Ela foi encerrada no fim de setembro, e a direção esperou para avaliar a adesão antes de avançar com partes do plano da TV.

Na outra ponta, a empresa promoveu nomes de streaming e tecnologia. Em setembro, Adam Smith, ex-YouTube, virou chairman de streaming, e Karandeep Anand assumiu como diretor de tecnologia.

E no Brasil?

O assinante brasileiro já conhece esse filme. A Disney encerrou em 28 de fevereiro de 2025 seis canais da TV paga no país: Star Channel, Cinecanal, FX, National Geographic, Disney Channel e Baby TV. Só os canais ESPN escaparam. Antes disso, em 2024, o Star+ já havia sido incorporado ao Disney+.

Ou seja, por aqui a migração da TV linear para o streaming já está concluída. O que muda agora é a origem do catálogo. As séries da ABC, da 20th Television, do Hulu e da Nat Geo chegam ao Brasil pelo Disney+. Por isso, a forma como esses projetos são aprovados nos EUA define o que o assinante brasileiro vai encontrar na tela.

Na leitura de analistas, uma esteira única e guiada por retenção tende a favorecer apostas seguras, como franquias, continuações e formatos com audiência comprovada. Produções de nicho correm mais risco. Ainda não há anúncio sobre mudanças específicas no catálogo, e a Disney segue discutindo quais cargos e linhas de comando vão mudar.

E você: acha que séries escolhidas por algoritmo e taxa de cancelamento vão deixar o Disney+ melhor ou mais previsível? Conte nos comentários.

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