A Disney demitiu, nesta terça-feira, cerca de 100 funcionários da Disney Entertainment Television, com a National Geographic sendo a mais afetada e alguns cortes também na ABC News. Não é um caso isolado: é a terceira rodada de enxugamento da empresa só em 2026, e a National Geographic virou, mais uma vez, o alvo preferencial da tesoura.
Entre os nomes que saem está Charlie Parsons, vice-presidente sênior de desenvolvimento do canal por mais de 15 anos, responsável por títulos como One Strange Rock, Hostile Planet e Gordon Ramsay: Uncharted, além de produções recentes com Tom Hiddleston e Antoni Porowski.
Um ano inteiro de cortes sob D’Amaro
Josh D’Amaro assumiu o comando da Disney em março de 2026, sucedendo Bob Iger, e desde então vem seguindo à risca o manual de “eficiência operacional”. Os números do ano comprovam:
- Janeiro: consolidação da área de marketing
- Abril: cerca de 1.000 posições cortadas em estúdios, ESPN e tecnologia
- Julho: nova leva, com destaque para Pixar, National Geographic, ESPN e ABC News
Na Pixar, o corte chega a cerca de 100 posições em produção e operações, um percentual de um dígito alto sobre os aproximadamente 1.100 funcionários do estúdio — o maior enxugamento do estúdio desde 2024. Na ESPN, os cortes estão ligados à integração da rede com a NFL Network.
Por que a National Geographic sempre sente mais
Não é a primeira vez que a marca leva o golpe mais pesado. Em 2024, a National Geographic já havia perdido cerca de 60 pessoas, 13% do quadro, no mesmo tipo de reestruturação da Disney Entertainment Television. O padrão se repete: canais factuais e documentais são os primeiros candidatos ao corte quando a audiência linear cai e a pressão publicitária aperta.
Um porta-voz da Disney resumiu o momento em nota, afirmando tratar-se de parte da avaliação contínua de como a empresa administra recursos e reinveste, à medida que o setor segue evoluindo. Tradução livre: o dinheiro que sobra da TV linear vai para outro lugar — e todo mundo sabe qual é.
O contraste que incomoda
Enquanto a TV a cabo e o jornalismo sofrem, outras áreas da Disney vão de vento em popa: parques temáticos em recuperação forte e streaming em crescimento constante. É o mesmo dilema de sempre no setor — o motor que sustenta o legado da empresa (TV linear e news) é justamente o que menos cresce, e por isso o primeiro a ser espremido.
Para o mercado, o recado é claro: 2026 já entrou para a lista dos anos mais duros da era pós-fusão para os canais tradicionais da Disney, e nada indica que a National Geographic ou a ABC News estejam fora da mira em rodadas futuras.
Você acha que esses cortes recorrentes já comprometem a qualidade do conteúdo factual da National Geographic, ou a marca ainda sustenta o padrão de sempre?
