TV 3.0 terá ‘cheiro’, controle por gestos e avatares em Libras

Pesquisadores de universidades brasileiras apresentam demonstrações com Internet das Coisas e acessibilidade automatizada para o novo padrão da TV aberta.

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A experiência de assistir à televisão aberta no Brasil está prestes a passar por uma transformação radical que vai muito além do salto na qualidade de imagem e som. Com a chegada da TV 3.0 (DTV+), a promessa é que a programação transmitida pelas emissoras deixará de ser um fluxo passivo de vídeo para se conectar diretamente aos dispositivos inteligentes da casa do telespectador.

Em demonstrações recentes de projetos de pesquisa desenvolvidos por instituições como CEFET, UFF e USP, pesquisadores apresentaram tecnologias que prometem trazer “cheiro” para a televisão, controle de exibição por gestos das mãos e tradução automática em Libras por meio de avatares tridimensionais.

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Como funciona

A inclusão do “cheiro” na TV é viabilizada pela integração do sinal da transmissão com a Internet das Coisas (IoT). Durante a produção de um programa, a emissora de televisão insere gatilhos de automação ocultos no sinal transmitido. Quando o receptor da TV 3.0 capta esses comandos, ele se comunica com os aparelhos inteligentes conectados à rede Wi-Fi da residência.

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Em uma das demonstrações práticas, um documentário sobre o ecossistema marinho acionava automaticamente um difusor de aromas no ambiente para liberar cheiro de mar nos momentos exatos em que os peixes apareciam na tela. O mesmo mecanismo de gatilhos aciona lâmpadas inteligentes nas salas dos telespectadores para mudar de cor de acordo com os times que marcam gols durante uma partida de futebol.

Além da imersão sensorial, a TV 3.0 eliminará a dependência do controle remoto tradicional para momentos do dia a dia. Utilizando o padrão de interatividade brasileiro NCL (Nested Context Language), o novo sistema permite o reconhecimento de gestos para comandar a tela a distância. A solução foi pensada para cenários práticos como o uso de tutoriais de culinária: ao estar com as mãos sujas durante o preparo de uma receita, o usuário pode fazer um gesto de mão parada para pausar o vídeo, sinalizar “OK” para continuar a exibição ou levantar números com os dedos para avançar e voltar os passos da instrução.

Na frente de acessibilidade, o projeto adapta a tecnologia do VLibras para transformar as legendas (Closed Caption) transmitidas pelas emissoras em tradução em tempo real para a Língua Brasileira de Sinais. A grande vantagem do sistema é que ele não exige nenhuma mudança na infraestrutura das emissoras de TV nem ocupa banda de transmissão extra com janelas de vídeo gravadas. O próprio conversor ou televisor com TV 3.0 processa o texto internamente, consulta seu dicionário digital e renderiza um avatar 3D na tela reproduzindo os sinais em Libras.

Toda essa camada de interatividade e acessibilidade já está oficialmente prevista na normatização da TV 3.0 no Brasil. A expectativa dos pesquisadores é que os primeiros receptores e conversores comerciais equipados com esses recursos cheguem ao mercado consumidor entre o final de 2026 e o início de 2027.

Confira o vídeo

Confira mais detalhes neste vídeo do canal Lucas Rocha Movies, com uma demonstração realizada durante o evento SET Expo 2026:

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