O sábado, 22 de agosto, divide a grade entre dois filmes de gênero que não poderiam ser mais distintos em qualidade, ambição e propósito. A partir das 22h, Telecine Premium e HBO entregam um B-movie de alienígenas sem pretensão e um western sobrenatural denso que a crítica especializada recebeu com elogios genuínos. Os dois já estão disponíveis no streaming.
Telecine Premium: Osiris
Dirigido por William Kaufman, Osiris acompanha uma equipe de comandos de forças especiais que é abduzida em plena operação por uma nave espacial misteriosa. Ao acordar, os soldados descobrem que estão sendo caçados por uma raça alienígena implacável — e precisam se unir a um grupo de sobreviventes liderado por Anya (Linda Hamilton) para tentar voltar para casa.
Sim, aquela Linda Hamilton — a Sarah Connor original. O elenco ainda inclui Max Martini como o líder Kelly, Brianna Hildebrand (Deadpool) como Ravi, e LaMonica Garrett (1883). O filme acumula 50% de aprovação no Rotten Tomatoes, com o público no mesmo patamar — empate pouco animador em qualquer agregador. No IMDb, a nota é 4,7.
No RogerEbert.com, o crítico Simon Abrams deu 2,5 de 4 e resumiu bem: “Nunca chega a ser surpreendente nem refinado o suficiente para merecer mais do que elogio qualificado — mas Osiris vai te fazer sentar e perguntar: ‘espera, quem fez isso?’” A crítica do IGN foi mais direta ao comparar o filme a um Aliens de orçamento limitado que copia muito e inventa pouco — mas que, para quem busca ação alienígena básica de sábado à noite, cumpre o serviço. A maior surpresa do filme foi no streaming: ao chegar ao Hulu, Osiris disparou para o topo das paradas da plataforma, provando que há público certo para cada filme.
HBO: Possuída no Deserto
O lado mais sério da noite chega na HBO. Escrito e dirigido por Ned Crowley, Possuída no Deserto (Killing Faith, 2025) se passa em 1849 no território do Arizona, devastado por uma peste que semeia medo e paranoia. Sarah (DeWanda Wise), uma ex-escravizada, acredita que sua filha está possuída pelo demônio — pois tudo que a menina toca morre. Sem opções e com os moradores da cidade respirando em seu pescoço, ela convence o Dr. Bender (Guy Pearce), um médico cínico e espiritualmente vazio, a acompanhá-la numa travessia pelo deserto em busca de um pregador distante (Bill Pullman) capaz de salvar a criança.
Pearce, recém-saído de uma indicação ao Oscar por O Brutalista, traz anguish apropriado ao papel de um homem endurecido pela perda — que vê redenção de má vontade na jornada que lhe foi imposta. Wise, como segunda protagonista, entrega a força e a determinação que uma mulher negra de 1849 precisaria mobilizar apenas para sobreviver, quanto mais para proteger uma filha.
O filme acumula 76% de aprovação no Rotten Tomatoes, com o consenso da crítica descrevendo um anti-western idiossincrático e corajoso — “o tipo que não costuma aparecer” — apesar de um roteiro que às vezes tropeça no próprio peso dramático. O Guardian deu 4 de 5 estrelas. Um crítico do Alan Ng Film Threat chegou a comparar o espírito do filme ao melhor das adaptações de Stephen King, pelo modo como Crowley constrói tensão em cada encontro. Não é uma obra perfeita, mas tem silhueta própria — e isso, no western contemporâneo, já é bastante.
B-movie alienígena sem compromisso ou western sobrenatural que quer dizer algo? A grade de sábado não tenta agradar ao mesmo público nos dois canais — e é exatamente por isso que funciona.
E você, vai de aliens com Linda Hamilton no Telecine ou enfrenta o deserto maldito de Guy Pearce na HBO?
