Desde esta terça-feira (6), há um grande estúdio a menos em Hollywood. A compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount foi concluída, e o conglomerado que resulta dela passa a se chamar Skydance Corp. Ele estreia na Bolsa de Nova York com o ticker SKYD.
O negócio, avaliado em US$ 111 bilhões, junta a Warner Bros. e a Paramount Pictures, a HBO, a CBS, a CNN e dois serviços de streaming globais. O preço também é alto: a nova empresa nasce com cerca de US$ 80 bilhões em dívida líquida.
Os acionistas da WBD receberam US$ 31,02 por ação em dinheiro, e os papéis da companhia saíram da Nasdaq no mesmo dia. A operação precisou de aprovação regulatória em quase 70 jurisdições.
Uma novela corporativa de mais de um ano
A conclusão encerra uma disputa que se arrastou por meses. A Warner chegou a rejeitar as primeiras investidas da Paramount e apoiou uma proposta alternativa da Netflix, de US$ 72 bilhões, que envolvia estúdios e streaming. A Paramount respondeu com uma oferta hostil direto aos acionistas, maior e incluindo a TV a cabo, que a Netflix não queria. A Netflix desistiu, e o conselho da Warner mudou de lado.
Nos Estados Unidos, o último obstáculo era judicial. O fechamento foi liberado depois que um juiz aprovou o acordo entre a Paramount e os procuradores-gerais de 12 estados que tentavam barrar a operação.
O tamanho do novo gigante
Os números divulgados no fechamento mostram a escala da empresa:
- Receita anual: perto de US$ 70 bilhões
- Assinantes de streaming: mais de 200 milhões, somadas as plataformas
- Presença: mais de 200 países e territórios
- Gasto com conteúdo: mais de US$ 30 bilhões nos últimos 12 meses (pro forma)
- Cinema: ao menos 30 filmes por ano, cada um com janela mínima de 45 dias nas salas
- TV e streaming: mais de 180 séries e programas por ano
David Ellison assume como presidente do conselho e CEO, com Ynon Kreiz como co-CEO. A empresa vai operar em três divisões: Estúdios, Direct-to-Consumer (streaming) e TV Media.
A conta que precisa fechar
A meta é capturar pelo menos US$ 6 bilhões em sinergias em três anos. Essa economia deve sair principalmente de tecnologia, integração de compras, marketing e consolidação de imóveis. A empresa também quer reduzir a alavancagem líquida para 3 vezes até o fim de 2029.
Na visão do mercado, “sinergia” costuma significar demissões e cortes de estrutura. O roteiro já foi aplicado na fusão anterior entre Skydance e Paramount, e a própria empresa diz que vai repetir o modelo.
HBO Max e Paramount+: casamento ou só morar junto?
O comunicado oficial diz que os serviços de streaming serão unificados em uma única plataforma “ao longo do tempo”, sem data marcada. Ellison já havia sinalizado o plano em março. Ele afirmou que não pretende mexer na marca HBO, e uma fonte ouvida pela CNBC disse que a HBO deve funcionar como submarca dentro do serviço maior.
Os sinais internos, porém, não são unânimes. Em conferência da Bloomberg na semana passada, Casey Bloys, CEO da HBO, evitou cravar o futuro e citou o pacote conjunto HBO Max e Disney como um modelo que faria sentido. A opinião dele pesa: com a saída de Cindy Holland do comando do Paramount+, Bloys deve passar a supervisionar todas as operações de streaming das duas empresas.
E no Brasil?
O caminho por aqui foi tranquilo. O CADE aprovou a fusão sem restrições, ao concluir que ela não traz riscos à concorrência no país.
O impacto para o assinante brasileiro está concentrado em três frentes:
- Streaming: HBO Max e Paramount+ seguem separados por enquanto. A eventual fusão criaria um rival mais robusto para Netflix, Prime Video e Globoplay.
- Esporte: o grupo passa a reunir direitos de Libertadores, Sul-Americana, Champions League e Campeonato Paulista. A Paramount afirmou ao CADE que não pretende se desfazer da TNT Sports nem dos canais lineares da Warner na TV paga.
- TV paga: a Paramount já encerrou seus canais lineares no Brasil, então a grade da Skydance na TV por assinatura se apoia no portfólio Warner, com TNT, HBO, Discovery e Cartoon Network.
Há também uma questão em aberto com a CNN Brasil. O canal opera sob licença da marca americana, agora sob novo dono, e analistas apontam que a fusão pode levar a uma revisão de contratos. Por enquanto, não há anúncio sobre isso.
E você: assinaria um superstreaming com HBO, Paramount+ e futebol no mesmo app, ou prefere que tudo continue separado? Conta pra gente nos comentários.
