A Disney está prestes a vender sua fatia de 50% na A+E Global Media para a Hearst, sócia histórica no negócio. O acordo, avaliado em mais de US$ 1 bilhão e fechado à vista, deve ser anunciado formalmente na teleconferência de resultados da Disney na próxima semana, segundo apuração do site Deadline.
A A+E Global Media é dona de marcas consolidadas da TV a cabo americana, como A&E, o combo de canais History e Lifetime, além do FYI. A joint venture era dividida meio a meio entre Disney e Hearst desde sua fundação, e há cerca de um ano as duas empresas contrataram o banco Wells Fargo para avaliar alternativas estratégicas, incluindo uma possível venda.
Quem fica com o quê
Empresas de streaming, operadoras de cabo e fundos de private equity chegaram a demonstrar interesse no ativo. No fim, a Hearst se consolidou como compradora natural: já detinha metade do negócio e tinha caixa disponível para bancar a operação sozinha.
A transição de comando deve ser tranquila. Paul Buccieri, atual presidente e chairman da A+E Global Media, segue no cargo após a venda, agora reportando diretamente ao CEO da Hearst, Steven R. Schwartz — um sinal de que a nova controladora aposta na continuidade da gestão.
O processo de venda começou ainda na gestão de Bob Iger à frente da Disney e foi concluído sob o comando de seu sucessor, Josh D’Amaro. Vale lembrar que a diretoria financeira da Disney já negou publicamente qualquer plano de vender ativos centrais da TV linear, como ABC, ESPN, National Geographic, FX e Freeform. A diferença é que a A+E sempre operou como uma joint venture privada, fora do guarda-chuva direto da Disney — o que facilita o desinvestimento sem contradizer o discurso oficial da empresa.
Um ativo ainda lucrativo, mas em xeque
Assim como o resto do setor de TV paga, a A+E Global Media sofre com a migração de audiência para o streaming e vem contribuindo cada vez menos para o resultado financeiro da Disney. Ainda assim, a empresa segue lucrativa e sem dívidas — um desempenho atribuído em parte à adoção precoce do modelo de canais FAST (gratuitos e financiados por publicidade).
Outro trunfo da A+E é a propriedade de boa parte de seu próprio catálogo de conteúdo, algo raro entre operadoras de TV a cabo. Esse acervo segue com os canais na troca de controle. A produtora do grupo, a A+E Studios, também tem currículo forte em séries para streaming — caso de The Lincoln Lawyer, produzida para a Netflix.
A operação também simplifica a relação societária entre as duas empresas. Disney e Hearst também dividem a ESPN, com a Disney como acionista majoritária. A venda da A+E resolve uma frente da parceria e deixa a ESPN de fora da equação, por enquanto.
O que muda no radar
Com a venda da A+E, cresce a expectativa sobre o futuro de outros ativos lineares da Disney. Entre os canais que seguem sob domínio direto da companhia:
- ABC (rede aberta)
- ESPN (esportes)
- National Geographic
- FX
- Freeform
Nenhum desses está oficialmente à venda, mas o mercado deve retomar o debate sobre até quando a Disney pretende sustentar seu portfólio de TV linear diante da pressão do streaming.
E você, acha que esse é só o primeiro de vários desinvestimentos da Disney na TV a cabo, ou a empresa vai mesmo segurar ABC e ESPN até o fim?
