O lado oculto da TV 3.0: Primeiros conversores entregam imagem escura e bugs

Relatos de usuários que testaram conversores da Aquário e Intelbras revelam incompatibilidade de imagem, ausência de recursos e falhas de sinal

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A chegada da TV 3.0, também chamada de DTV+ ou TV Aberta 3.0, promete “revolucionar” a experiência dos telespectadores brasileiros com transmissões em 4K, HDR e áudio imersivo. No entanto, para o consumidor comum, a recomendação de especialistas e entusiastas do setor é drástica: não vale a pena comprar nenhum equipamento compatível, ao menos neste momento. O alerta baseia-se no fato de que a tecnologia ainda se encontra em uma fase extremamente experimental, e investir cerca de R$ 600 a R$ 700 em kits compostos por antenas e receptores pode resultar em perda de dinheiro e uma experiência capada.

Análises técnicas detalhadas e depoimentos reais compartilhados por usuários que atuam como “cobaias” da nova tecnologia  jogam luz sobre os problemas crônicos que os primeiros conversores de marcas como Aquário e Intelbras estão enfrentando nas poucas localidades onde o sinal já está disponível.

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Imagem escura em telas antigas 

O primeiro grande obstáculo técnico da TV 3.0 diz respeito à compatibilidade de imagem. Emissoras como a Globo já realizam testes transmitindo partidas de futebol em altíssima definição (4K com HDR10). O problema surge quando o usuário conecta o conversor da Aquário a uma televisão Full HD convencional.

Como o conversor atual não possui a tecnologia de Tone Mapping (mapeamento de tons) para fazer o downgrade correto de HDR para SDR, a imagem perde completamente o brilho e as cores, tornando-se excessivamente escura e prejudicando a transmissão. Embora o menu do receptor traga ajustes básicos de iluminância do display, ele falha em entregar a compatibilidade necessária para quem ainda não possui um televisor 4K nativo.

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Bugs de sistema e a promessa do áudio imersivo

Os problemas de software também comprometem a usabilidade do sistema. Um dos bugs mais comuns identificados impede que o receptor exiba os medidores de potência e qualidade de sinal na tela, deixando os gráficos zerados mesmo quando o canal está sintonizado e funcionando. Esse feedback visual é fundamental em sistemas de antena para que o usuário possa ajustar a posição física do equipamento.

Por outro lado, recursos de áudio mostraram avanços interessantes, embora instáveis. O SBT, por exemplo, adicionou trilhas de áudio em Dolby Atmos em canais abertos, proporcionando uma experiência imersiva positiva para quem possui sistemas de Home Theater. Contudo, ferramentas prometidas como o “som ambiente” (que permite desligar a narração e ouvir apenas o áudio do estádio ou das pistas) ainda oscilam. Enquanto em corridas de Fórmula 1 o menu exibia apenas o áudio padrão, em partidas de futebol internacionais a Globo conseguiu disponibilizar a função com sucesso em caráter de teste.

Delay superior e a necessidade de antenas externas

Um dos argumentos de venda da TV 3.0 era a redução do atraso na transmissão em relação ao streaming e à TV digital comum, mas os testes práticos revelaram o oposto. Em comparações diretas de cronômetro entre uma TV com o sinal DTV+ e outra conectada à TV Digital tradicional (2.0), o novo sistema apresentou um delay cerca de 4 segundos maior, fazendo com que o usuário da tecnologia mais recente assista aos lances com atraso.

Além disso, a interatividade avançada, como a função de rever os melhores momentos do jogo em uma tela dividida (Picture-in-Picture), depende obrigatoriamente de uma conexão de internet ativa no receptor. O sinal limpo do jogo vem da antena, mas os dados extras carregam pela rede, apresentando lentidão considerável no carregamento.

Para fechar o cenário complexo, o alcance das frequências exige adaptações físicas. As antenas internas do tipo MIMO que acompanham os kits chegam rapidamente ao limite em regiões metropolitanas. Pior do que isso, os boosters (amplificadores de sinal inclusos) ajudam nos canais HD comuns, mas acabam derrubando o sinal na faixa dos 3.000 MHz utilizada pela TV 3.0, forçando os usuários a realizarem “gambiarras” técnicas com antenas externas para estabilizar a recepção em níveis aceitáveis. Atualmente, apenas canais como a Globo e o Canal+Gov realizam transmissões regulares no formato.

Confira neste vídeo do canal “Aprendemos Juntos” uma análise completa sobre o tema:

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