Até ontem, o espanhol que quisesse 4K pela antena tinha um único canal para sintonizar. Desde as 8h desta quinta-feira (5), o horário peninsular marcou o início das emissões dos canais em Ultra Alta Definição dentro do multiplex RGE2, e a TV aberta do país passou a ter quatro opções nacionais em UHD.
A grade em 4K na TDT (a TV digital terrestre espanhola) ficou assim:
- La 1 UHD (RTVE), pioneira, no ar desde 2024
- La 2 UHD (RTVE), estreia hoje
- Antena 3 UHD (Atresmedia), estreia hoje
- Telecinco UHD (Mediaset), estreia hoje
- TV3 UHD (3Cat), estreia hoje, apenas na Catalunha
Não espere conteúdo exclusivo. Os canais transmitem simultaneamente a mesma programação de suas versões em HD. O ganho está na imagem, não na grade.
O pacote chegou junto com outra novidade: no mesmo dia, a TDT estreou também La Séptima, um canal novo. Resultado: o país inteiro precisa sintonizar o televisor de novo. Confira abaixo a transmissão ao vivo do novo canal no Youtube:
O gargalo é o televisor da sala
Aqui está o asterisco da festa. Para ver UHD pela antena, o espectador precisa de três itens: tela UHD, sintonizador DVB-T2 (a segunda geração do padrão europeu de TV digital) e decodificador HEVC, também chamado H.265.
E o parque instalado ainda não acompanha. Segundo a associação UHD Spain, no fim de 2025 apenas 36,6% dos televisores do país estavam aptos a receber UHD pela antena. Ou seja: a maior parte das casas não verá diferença alguma hoje.
Ninguém fica sem sinal, porém. As versões em HD continuam no ar para quem não tem equipamento compatível. Quem não refizer a sintonia segue com os canais atuais, embora algumas emissoras possam mudar de posição ou deixar de aparecer corretamente.
Quem assiste à TV aberta pelo decodificador da operadora também vai esperar. A Orange, por exemplo, confirmou que trabalha para incluir as versões 4K nos mesmos números de canal que hoje ocupam as versões HD, sem data definida.
As regionais saíram na frente
O lançamento da TV3 em UHD faz da Catalunha a segunda comunidade autônoma com 4K regular na antena. A primeira foi a Galícia: a TVG estreou seu serviço em 28 de março de 2025.
Os grupos privados, por sua vez, jogam em mais de uma frente. A Mediaset finaliza o Cuatro UHD, enquanto a Atresmedia anunciou que o La Sexta UHD ficará restrito ao Atresplayer e a outras plataformas, fora da TDT.
A UHD Spain, que reúne emissoras, fabricantes, operadores de rede, empresas de tecnologia e universidades, celebrou a expansão e publicou um vídeo explicativo sobre UHD e HDR. O material cobre ganhos de resolução, cor, contraste e áudio.
E o Brasil nessa história?
A comparação é inevitável, porque o Brasil também acabou de entrar na era do 4K aberto. A TV 3.0 (DTV+) foi regulamentada por decreto em agosto de 2025 e lançada em junho de 2026, com a Globo transmitindo em 4K e com recursos interativos durante a Copa do Mundo.
A diferença está no caminho escolhido. A Espanha aproveitou um padrão que já estava dentro de muitos aparelhos: o DVB-T2 é obrigatório nos televisores e decodificadores vendidos no país desde meados de 2017. O Brasil optou por um salto tecnológico maior, com padrão novo, e pagou o preço na recepção. Em julho, nenhuma TV à venda no país trazia o receptor DTV+ de fábrica, e os primeiros modelos compatíveis eram esperados entre o fim de 2026 e o início de 2027.
Na nossa leitura, os dois países enfrentam o mesmo desafio por ângulos opostos:
- Espanha: tecnologia mais conservadora, mas com base instalada pronta em parte das casas
- Brasil: tecnologia mais ambiciosa (4K, áudio imersivo, canais como aplicativos), mas que depende de conversor ou TV nova
Em ambos os casos, o 4K gratuito já existe no ar. Falta chegar à sala da maioria.
E você: trocaria de TV ou compraria um conversor só para ver a TV aberta em 4K? Conta pra gente nos comentários.
