Enquanto o mercado global de mídias debate a dominação do YouTube sobre a televisão e o avanço dos vídeos sociais na disputa pelo tempo de tela, uma nova pesquisa de consumo traz um curioso contraponto para o ecossistema de entretenimento – neste caso, na Europa.
De acordo com dados de pesquisa da consultoria internacional Omdia, o YouTube não é a primeira opção de serviço de vídeo em dois dos maiores mercados da Europa: o Reino Unido e a França. Nesses territórios, a Netflix mantém a liderança absoluta quando o assunto é a escolha preferida do público para consumir audiovisual.
Os números do mercado: Reino Unido e França

Os dados apurados pela Omdia em sua pesquisa de consumo revelam uma divisão clara de preferências no comportamento dos usuários:
-
Reino Unido: A Netflix surge como a primeira escolha de 17% dos consumidores. Em segundo lugar vem a operadora Sky TV (15%), seguida pelo Amazon Prime Video (10%). O YouTube ocupa apenas a quarta posição no ranking de preferência, sendo a primeira opção de 9% dos entrevistados.
-
França: A Netflix lidera de forma ainda mais isolada com 18% das preferências. O YouTube aparece na segunda colocação com 12%, seguido por Free TV (10%), Orange TV (8%) e Amazon Prime Video (4%).
Tempo de tela x primeira opção

O estudo da Omdia ressalta uma distinção fundamental no hábito do consumidor que costuma ser ignorada nas métricas gerais de audiência: tempo total de visualização não é a mesma coisa que ser a primeira escolha do público.
Ainda que o YouTube acumule bilhões de horas assistidas globalmente devido ao volume massivo de conteúdos curtos e navegação contínua, quando o usuário decide conscientemente sentar para assistir a uma produção principal de entretenimento no Reino Unido ou na França, a Netflix continua sendo o destino prioritário.
Esportes ao vivo e a consolidação do modelo
A liderança na preferência europeia coincide com o avanço da Netflix sobre novas transmissões e formatos ao vivo. Apesar do ceticismo inicial de parte dos analistas do setor, a plataforma provou que eventos ao vivo, como lutas de boxe a partidas da NFL, podem integrar sua estratégia global de conteúdo.
A empresa demonstra que não precisa se transformar em uma emissora esportiva tradicional para obter sucesso: basta utilizar eventos de grande apelo como alavancas de engajamento para sustentar sua posição como a maior plataforma de streaming por assinatura do planeta.
