A transição da televisão digital brasileira (TV 2.5) para o padrão TV 3.0 (DTV+) não se resume à exibição de grandes eventos esportivos ou produções nativas em 4K. A adaptação da programação cotidiana em alta definição (HD) para o novo formato traz ganhos expressivos em nitidez, fluidez e retenção de detalhes no sinal aberto.
Em testes comparativos divulgados pelo canal Lucas Rocha Movies, a transmissão da programação comum da TV Globo via sinal experimental da TV 3.0 foi colocada lado a lado com o sinal da TV Digital via antena e com o fluxo do aplicativo Globoplay. As medições revelaram vantagens técnicas na nova tecnologia broadcast.
Compressão e eficiência dos codecs

O levantamento detalha a disparidade de infraestrutura e taxas de dados (bitrate) entre as três fontes de transmissão:
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Globoplay (internet): Transmite em 1080p a 6 Mbps de bitrate utilizando o codec H.264. A frequência de quadros é travada em 30 fps, gerando perda perceptível de detalhes em gramados e movimentações rápidas em transmissões esportivas.
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TV Digital atual (antena): Operando em 1080i (linhas entrelaçadas) a 10 Mbps de bitrate sob o codec H.264. O sinal passou por compressões nos últimos anos para facilitar a recepção por antenas internas, resultando em compressão visível no rosto de apresentadores e artefatos de imagem.
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TV 3.0 (DTV+): Utiliza uma camada de vídeo única em 4K no inovador codec VVC (H.266) com suporte a HDR10 e taxa de dados fixa de aproximadamente 13 Mbps. Por ser quatro vezes mais eficiente que o H.264, o novo padrão entrega 60 quadros por segundo progressivos (60 fps), garantindo máxima fluidez visual.
Mapeamento de cores e ganho de detalhes
Um dos principais desafios das emissoras na migração para a TV 3.0 é a conversão do acervo e da programação gravada em SDR (faixa dinâmica padrão) para o fluxo contínuo de transmissão em HDR10. Sem um tratamento adequado no gama e na paleta de cores, o sinal SDR exibido diretamente em HDR ficaria escuro e dessaturado.
Nos testes realizados em São Paulo, a conversão aplicada à grade comum provou-se eficiente:
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Texturas e grafismo: A transmissão via TV 3.0 preservou texturas de gramados em partidas de futebol e permitiu a leitura nítida de placas, elementos gráficos e logotipos que aparecem borrados ou com compressão (macroblocos) no Globoplay e na TV Digital tradicional.
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Fluidez em esportes: A exibição em 60 quadros progressivos elimina o travamento percebido na transmissão a 30 quadros via streaming, igualando a fluidez da TV por assinatura de alta fidelidade.
Requisitos
A experiência máxima oferecida pelo novo sinal dependerá do parque de televisores instalado nas residências. Telas de tecnologia OLED ou Mini LED aproveitam melhor o mapeamento de tons e o contraste do HDR10 nativo da TV 3.0.
Em televisores de entrada, a reprodução dependerá da capacidade do conversor digital externo ou do processador da própria TV em interpretar o sinal sem escurecer a imagem. Para telas menores ou resolução Full HD nativa, o sinal digital comum ainda consegue mascarar o baixo bitrate, mas a migração para a TV 3.0 consolida-se como a melhor alternativa para painéis 4K de grande porte.
Confira o teste (vídeo)
